quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Uma nova bota e uma nova luva...

Não sou muito fã de viajar com muita proteção no corpo não. Vejo muitos motociclistas até com colete à prova de balas (exagero meu!). 

Viajo com uma calça jeans, reforçada, e uma jaqueta de cordura, da qual retirei as proteções dos ombros e cotovelos. Fiz o mesmo com a jaqueta de couro. Quando faz frio, visto uma calça e uma blusa 2ª pele e, se o frio for muito intenso, ou se chover, coloco a capa de chuva. 

Mas não abro mão de uma boa luva e de uma excelente bota, que sejam, em 1º lugar, impermeáveis. 

Adoro um temporal. 😁. 

Minha velha bota da Harley, que atravessou, comigo, toda a América, e cumpriu bem sua tarefa, chegou ao fim da vida. Tá na UTI, digamos. Aguenta apenas mais uns kms. Resolvi substituí-la. E fui radical. Já que estou com uma moto Big Trail. 

Após várias pesquisas, cheguei à conclusão que esta que comprei (foto) é a melhor. Encontrei apenas no ML. Não tinha meu número (45) e comprei a 44, com a possibilidade de devolução caso ficasse apertada. 

Não ficou apertada. Ficou justa. Incomodando apenas, e pouco, no peito do pé. Meus dedos estão livres e não há pressão sobre eles. Não dá para colocar a calça por fora (não gostei deste detalhe). Penso em devolver por isto. 🤔🤔

A pergunta é, para quem usa este tipo de bota: ela cede nesta região do peito do pé? 

Mais: se você tem uma igual, fiz uma boa escolha?

Quanto à luva, também pesquisei e a melhor que encontrei foi uma da Triumph. Altas recomendações. Realmente protege do frio. Mas...

Ao viajar para o Peru, na primeira etapa (17 dias), ela descosturou (foto) no forro interno. Ao chegar em Brasília, fui à loja e, sem qualquer dificuldade, foi trocada por outra nova. Mas...


Ao fazer a segunda etapa da viagem pelo Peru (20 dias), a costura abriu em um dos dedos. 


Chegando em Brasília, fui à loja e, novamente sem qualquer dificuldade, me deram outra nova, com o compromisso de que, se ocorresse novamente, me devolveriam o dinheiro. 

Disse que não queria o dinheiro, porque realmente gostei da luva. Protege razoavelmente do frio. Quanto à chuva forte, ainda não peguei com ela. Neste caso, colocarei, antes, uma luva cirúrgica... Mas acho que não será necessário porque a luva possui um forro interno que me parece ser mesmo impermeável.

A conferir após a terceira etapa. Se descosturar novamente, vou ficar chateado, mas terei meu dinheiro de volta!

Fica o registro do ótimo atendimento da Triumph em Brasília. Fico imaginando a dor de cabeça que teria caso tivesse comprado em outra loja ou concessionária de outra moto...

E aí? Foi apenas um lote com defeito ou a luva não é o que me disseram?

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Customização de motocicletas - cuidado!

É notório que muitos motociclistas gostam de customizar suas motos. Tem até tipo de motos denominadas Custom, exatamente para isto. Existem também várias oficinas especializadas em modificações de motocicletas. 

As alterações de características de fábrica são permitidas por lei (art. 98 do CTB). 

Todavia, há regras, limitações, proibições taxativas e algumas precisam de certificação por organismo acreditado pelo INMETRO, de forma a demonstrar que não compromete a segurança. 

Exemplo de proibição: na troca da suspensão, é proibida a utilização de sistema com regulagem de altura!

A maioria destas regras, limitações e proibições estão contidas na resolução n° 292/2008, do CONTRAN e na Portaria que menciona. 

No geral, as modificações precisam de autorização prévia do órgão de trânsito e anotação das alterações no CRLV (documento verde de porte obrigatório). 

O detalhamento do que é necessário está na Portaria n° 159, de julho de 2017, do DENATRAN, que entra em vigor no dia 1º de setembro de 2017. Consta da portaria que foi levado em consideração para sua edição, estudos realizados pela Câmara Temática de Assuntos Veiculares e, curiosamente, pela Associação dos Fabricantes de Motociclos. Qual o interesse desta Associação??

No que se refere às motocicletas, devem se atentar que modificações do sistema de sinalização/iluminação, de espelhos retrovisores (ver Res. 682/17 do CONTRAN - links no vinal), guidão, de suspensão e assento, que alteram visualmente o veículo, necessitam do Certificado de Segurança Veicular, emitido por entidade acreditada pelo INMETRO, que atestará que o produto ou serviço executado não compromete a segurança. Nem do motociclista nem de terceiros. 

Quanto ao guidom, tem até figuras mostrando as limitações: 


Finalmente, lei é para ser cumprida. Gostemos ou não delas. Sem esquecer que muitos motociclistas exigem o cumprimento das leis por parte dos motoristas. Dar seta, por exemplo, é a mais comum...

Você que alterou as características originais da sua moto, trate logo de regularizar estas modificações no documento de porte obrigatório, caso contrário, ficará sujeito às penalidades previstas no CTB. 

Instalou "seca-sovaco"? Lanternas extras Modificou o sistema de iluminação/sinalização? Trocou o retrovisor por um de guitarra (KM ✌🏽)? Alterou a suspensão? A fixação dos bancos? Se liga!! 👀👀👀

Dura lex sed lex. ✌🏽

Editado em 31ago17

Numa leitura mais atenta, verifica-se que, tanto a Portaria 159/17 quanto a resolução 292 se refere, sempre, à modificação, alteração ou inclusão de alguns componentes dos veículos. No que se refere à inclusão, em motocicletas, temos somente a inclusão de dispositivo para transporte de cargas e de sidecar! Nada fala sobre a inclusão de faróis auxiliares (fonte luminosa).

Quanto à inclusão de fontes luminosas (creio que aí se insere os faróis auxiliares), o inciso V do art. 8° da Resolução 292/08 é taxativo: É proibido a instalação de fonte luminosa de descarga de gás (exemplo: lâmpadas xenon), excetuada a substituição em veículos originalmente dotado deste dispositivo.

Portanto, acredito que a inclusão (instalação) de faróis auxiliares estão permitidos. Desde que não sejam a gás nem tampouco interfira ou modifique o sistema de iluminação/sinalização original. Não se trata de modificação!!

Para dirimir quaisquer dúvidas, enviei um e-mail ao DENATRAN solicitando esclarecimentos. Vamos aguardar...




Portaria 159: 



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Troca de pneus em longas viagens

O pneu é um dos principais (senão o principal) equipamento de segurança da moto. Com ele não se deve economizar, nunca!!! E jamais deixar ficar 'careca' para substituí-los. Eu troco sempre antes da marca TDI. 

Antes de mais nada, é necessário sair com pneus que durem até a próxima troca, que deve ser, muito bem calculada onde será feita, e com uma certa folga!! Lembrem-se: imprevistos acontecem. 

Pois bem. Pela segunda vez tive que trocar os pneus no meio de uma viagem, fora do Brasil. Novamente planejada. A primeira foi na viagem para o Alaska, quando troquei em Portland, uns 5.000km antes da hora. Será que em Fairbanks teria o pneu? E as chuvas que pegaria no caminho? Valeria a pena correr este risco com um pneu já no final da vida útil? Claro que não. Por isso troquei antes. 

Agora, na viagem pelo Peru, troquei, em Lima, um par de pneus que ainda rodaria uns 3.000km, tranquilamente. Já rodei 10.000km com este par de Tourance, do qual nada tenho a reclamar. Nada. Muito bons. Tanto no asfalto quanto nas estradas não pavimentadas. Na chuva também. 
Pneu traseiro e dianteiro
Explico porquê troquei. Primeiro, o roteiro foi planejado de forma a fazer a revisão e a troca dos pneus em Lima! Segundo, ainda tenho pela frente uns 6.000km até chegar em casa (Atacama no caminho...??). Com certeza teria que trocá-los antes de sair do Peru ou imediatamente após.

Se aqui na capital peruana foi difícil encontrar um par adequado de pneus para meu tipo de uso da moto, imaginem no interior do país... Mesmo do Chile ou da Bolívia (ainda não decidi por onde voltarei). 

E tem mais: quanto mais próximo da troca, maior a possibilidade de furos (na semana passada o traseiro furou - coisa rara). E, se chover, aumenta o risco. Como não corro riscos desnecessários, realizei a troca antes do necessário.  

Adquiri um par de Anakee 3, por 900 reais. Bem mais barato que no Brasil. 

Se rodar 12.000km com eles, o custo por km será de R$ 0,075. Muito pouco. Só para comparar: o meu custo de gasolina por km situa-se na faixa de R$ 0,20. Mais de 2,5 vezes o custo com pneus!! 

Repito: besteira economizar em itens de segurança!! Em pneus, principalmente. Já vi gente experiente e até instrutor de cursos de motociclistas colocando pneu de carro na moto. É o cúmulo da ignorância. Já vi também muitos levarem pneus do Brasil. Sinceramente, viajar 20 dias (ou mais) com dois pneus amarrados na moto, é outra maluquice. Mas, enfim. Cada um faz como achar melhor. 

Portanto, os 3.000km que ainda daria para rodar com o par de Tourance representam R$ 225,00. Duas diárias de hotel. Ou três dias de gasolina. É muito pouco, considerando-se os custos de uma longa viagem. 

Finalmente, com pneus novos, vou concluir a viagem sem me preocupar com pneus. Seja na terra, no rípio, no asfalto e pode vir a chuva que vier. A moto estará bem calçada!! E eu, bem tranquilo!!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Quanto custa e como conseguir dinheiro para viajar de moto

Para viajar é necessário, entre outras coisas, dinheiro. Disto não há a menor dúvida. Pouco que seja, mas é indispensável. Sem dinheiro, não se sai do lugar, não é mesmo? Gasta-se com a moto, com você e com um monte daquelas outras coisas. 

Tentarei, neste post, detalhar os gastos e as maneiras de custear uma viagem de moto. Vale para carro também. 
Carretera no Peru - Ayacucho
CUSTOS COM A MOTO:

Tem custos que são inevitáveis. Combustível, por exemplo. Sem ele, a moto não funciona. Os Lubrificantes também são indispensáveis. Tá bom, para estes tem como encontrar aquele mais barato, não recomendado pelo fabricante. Mas funciona... Quanto àquele (gasolina), não tem jeito. É custo obrigatório. Não tem como pedir descontos ao frentista. No máximo pode abastecer num posto sem bandeira. Mas não é recomendável que se faça isto no Brasil.

Outros custos, agora com a manutenção, podem ser reduzidos. Por exemplo, com algumas peças. Dependendo de qual seja, pode ser substituída por outras, não originais. Em certos casos não é aconselhável, mas faz a moto sair do lugar. Isto é o que importa, não é? Mas tem que ter cuidado com peças xing ling... Pode estragar a viagem.

Quanto à mão de obra, também pode se reduzir fazendo os serviços em oficinas alternativas ou até quase eliminar, caso o motociclista saiba fazer a manutenção de sua moto. O que gera uma economia razoável. Mas quem sabe fazer isto é exceção, certo? E, mesmo assim, há serviços que só em oficina é possível fazer. Portanto, há custos com manutenção. 

CUSTOS COM O PILOTO:

Primeiro, em relação à alimentação, é possível economizar uns trocados. Afinal, em quase todo lugar tem restaurante para todos os gostos e bolsos. Mas neste quesito, é necessário tomar muito cuidado, porque a economia pode sair caro (remédios, tempo perdido, risco de infecções, etc.). Se não tem como economizar no combustível da moto, por que economizar, em demasia, com nosso combustível (alimentação), a ponto de nos causar problemas de saúde! Quanto à água, mesmo procedimento, até com mais cautela. Problemas de saúde podem prejudicar e até interromper a viagem.

Hospedagem: Também é possível economizar, e muito, neste quesito. Na maioria dos lugares há hotéis, hosteis, pousadas, igrejas, casa de conhecidos (a irmandade... - muitos são membros de motoclubes para filarem uma estadia!), postos de gasolina e beira de rios ou de rodovias (para acampar), etc. Cada um tem um jeito. Mas não é em todo lugar que é possível evitar gastos com acomodações. 

OUTROS CUSTOS:

Há inúmeras outras despesas, tais como pedágios, passeios e entradas em atrações turísticas, documentação, equipamentos diversos (barracas, spots, máquinas fotográficas, etc.), eventuais transporte da moto (balsas, aviões, guinchos para evitar uma situação crítica), vestuário, seguros diversos, impostos, etc. Mas são despesas mínimas e nem sempre necessárias. Mas devem ser contabilizadas, se for o caso. 

Por fim, há também a depreciação da moto. Item bastante desprezado pela maioria. Afinal, quanto mais se usa, mais desvaloriza. Por experiência própria, uma moto (ou qualquer veículo) perde, em média, 8% de seu valor, por ano! Uma moto que custe R$ 60.000,00, a cada ano desvaloriza, R$ 4.800,00. Ou seja, R$ 400,00 por mês, o que dá aproximadamente R$ 13,00 por dia! São custos, certo? Afinal, após um certo tempo você terá que trocar de moto. Levamos em consideração uma utilização da moto por cinco anos. Depois destes cinco anos, se consegue R$ 36.000,00 na moto, cuja nova custa R$ 60.000,00!

Em relação aos custos com a moto, depende tão somente da quilometragem percorrida

Quanto aos custos com o piloto e depreciação da moto, a relação de dependência é com os dias de viagem. Quanto aos outros custos, dependem, em grande parte, dos destinos.

Perguntas que se deve fazer, para calcular o custo de uma viagem: 
1. Quantos quilômetros irei percorrer, em toda viagem?
2. Quanto minha moto (ou qualquer outro veículo) consome de combustível por km rodado?
3. Qual o preço médio do combustível?
4. Qual é o gasto com manutenção, por km rodado (incluindo peças, mão de obra, pneus, rolamentos, etc.)? 
5. Qual a duração, em dias, da minha viagem?

Com as respostas a estas perguntas, poderemos fazer uma previsão inicial do custo total da viagem.

Por exemplo: 
Uma moto que faça média de 18km[1] com um litro de gasolina, o que é o consumo da maioria. O valor médio do combustível é por volta de R$ 3,80 (sempre bom colocar um pouco acima!). Portanto, R$ 0,21/km.

A cada 10.000km, em média, se faz revisão na moto e cada uma custa, em concessionária, por volta de R$ 2.600,00, incluindo os itens que não são substituídos em todas revisões, tais como pneus, bateria, discos, rolamentos  e pastilhas, por exemplo. Com certeza, alguns custos não são gastos durante a viagem, mas são custos que devem ser considerados.

Ou seja, neste exemplo, gasta-se R$ 0,21 (3,80/18), com combustíveis e R$ 0,26 (2.600,00/10.000) com manutenção, por km rodado, considerando revisão feita em concessionária. Ou, seja, R$ 0,47 por km rodado, com a moto, fora os imprevistos! Este custo, com manutenção, como dito acima, pode ser bastante reduzido. Mas não deixe de contabilizar os custos com pneus, baterias, rolamentos, etc., que não se troca em toda revisão. Pneus e discos de embreagem ou de freio são caros!!

Portanto, numa viagem de 15.000km, é possível prever um gasto, com a moto, de, aproximadamente, R$ 7.050,00, excetuando-se os imprevistos (15.000 x 0,47). Se utilizar uma moto mais econômica, que faça 30km/l, por exemplo, o custo com combustíveis seria de R$ 0,13 por km rodado (R$ 3,80/30). Numa viagem de 15.000km, gasta-se R$ 1.950,00, só com gasolina

Com manutenção, cada um tem um custo diferente. Mas contabilize os itens que troca de vez em quando. Calcule aí o gasto que você tem com manutenção (incluindo, pneus, baterias e outros itens que não são substituídos em todas elas) e divida pela quilometragem de revisão ou troca, para saber o custo por km.

Com alimentação e hospedagem, que dependem do número de dias que durará a viagem, a conta é um pouco mais complicada. Depende muito dos destinos diários, da idade do piloto, do apetite, da grana disponível, etc.. A maioria, eu incluso, pernoita em hotéis com boa localização, que tenha estacionamento, internet, chuveiro bom, cama confortável, café da manhã e restaurante nas proximidades.

Ceviche a 30 reais e frango assado com fritas, a 14 reais, no Peru. Lima e Huánuco. 


Algumas vezes emcontramos bons hotéis a R$ 40,00 e noutras, o custo é de R$ 180,00 ou mais. Mas é possível pagar até R$ 20,00 por pernoite, a depender do local. Consideremos o custo médio com hospedagem, no valor de R$ 120,00.

Pensão a 20 reais em Serra da Saudade, Minas Gerais, e hotel a 150 reais em Huánuco, Peru:


Alimentação também depende muito dos destinos. Mas, em média, gasta-se por volta de R$ 40,00/dia (lanches e jantar ou almoço). Na mesma viagem (15.000km), com duração de 30 dias, a previsão de gastos nestes dois quesitos (hospedagem e alimentação) é de R$ 4.800,00. Menos do que o gasto com a moto!

E, ainda, temos uma despesa oculta de aproximadamente, R$ 390,00 com a depreciação da moto... (30 dias x 13,00). Mixaria né? Mas tem que contabilizar. 

Totais: Moto: R$ 7.050,00; piloto: R$ 4.800,00. Depreciação: 390,00. Sub-total: R$ 12.240,00. Que não são, necessariamente, gastos durante a viagem. Pode ser antes ou depois.

Quanto aos demais itens (passeios, documentação, pedágios, etc.), gasta-se muito pouco. Não compensa nem Individualizá-los. Mas faça uma reserva, algo como 15% do custo total (moto e piloto). Ou seja, no nosso exemplo, R$ 1.836,00. 

Total previsto para uma viagem de 15.000km e 30 dias, preveja um gasto de R$ 14.076,00. Estamos nos referindo a uma viagem prazeirosa, não penitente... De sacrifícios. Estas são raras. 

Se tiver acompanhante, o custo extra será com alimentação, principalmente. Se for o caso, contabilize este acréscimo. 

Feita a previsão de gastos, a pergunta que se faz é a seguinte: Como conseguir dinheiro para realizar a viagem?

Há várias maneiras:

1. Você trabalha, ou é aposentado, ou já trabalhou muito e ganha (ou ganhou) razoavelmente bem. Ou tem pai rico, ou ganhou na mega sena, sei lá... Aí não é problema, certo? Tem até uma boa (?) e cara moto, tempo e dinheiro disponíveis. Vai pra onde você quiser, certo?

2. Você trabalha mas ainda não tem uma boa remuneração. Mas mesmo assim viaja, economizando no que for possível. Claro que há limitações, neste caso. Com destinos, alimentação e hospedagem, principalmente.

3. Não trabalha nem tem qualquer rendimento. Mas quer viajar. Neste caso, vende o pouco que tem ou procura patrocínios, o que a minoria consegue! E sai por aí, às vezes, mendigando hospedagem e alimentação. 

Na primeira maneira, às vezes nem é necessário prever custos. Vai e pronto. Gasta-se o que for necessário e até com o que não for.

Já na segunda e terceira maneiras (principalmente nesta), pode fazer o seguinte:

Junte um pouco de dinheiro ou venda alguma coisa, ou faça um empréstimo, sei lá.., e faça uma pequena viagem, de preferência uma que desperte o interesse de muitos. Geralmente uma daquelas viagens que poucos tem coragem de fazer. Principalmente, em vias não pavimentadas. A galera adora! Depois, escreva um livro ou faça um DVD com vídeos e fotos destas viagens, venda e consiga dinheiro para as próximas. 

Só não esqueça de uma coisa: se ficar juntando dinheiro para viajar, por muito tempo, você corre o risco de morrer antes. 😉

Quanto mais você viaja e produz livros ou documentários, mais grana você vai acumulando, até ser possível viajar para qualquer destino. E até, quem sabe, parar de trabalhar e viver de suas viagens! Mas não esqueça: Viaje sempre para aqueles destinos que despertam muito interesse. Senão a fonte seca!

Uma outra forma é trabalhar durante a viagem (o que quase ninguém quer...). Nos destinos turísticos sempre se consegue uma ocupação, por uma semana ou um mês. Com o dinheiro que consegue, prossiga a viagem. Mas não descarte a produção dos livros e documentários, afinal, haverá muita história a ser contada. Os perrengues são sempre interessantes...

Tem também a famosa vaquinha... Arrume uma desculpa qualquer para pedir dinheiro para os incautos motociclistas que acreditam em tudo... Há várias histórias relatadas na internet. Eu conheço um que fez vaquinha para comprar uma máquina fotográfica... Tem até site especializado para pedir dinheiro para os outros. E o que não falta é gente generosa, não é mesmo? Aquela irmandade... Ou incauto, sei lá. 

Você pode também virar agente de mototurismo em duas rodas e guiar motociclistas que não sabem ou não querem planejar uma viagem ou viajar sem um comandante. Tem muitos por aí que precisam disto. 

Ah... tem como faturar uns trocados dando palestras também... Montadoras tem investido nisto, como forma de ajudar vender seus produtos. Nem precisa ter muita experiência...

Por último, pelo menos neste post, há os patrocínios. Se sua viagem for realmente interessante, para algum segmento comercial ou científico, é possível conseguir, dependendo da sua lábia e do grau de relacionamento com as empresas ou entidades. Conheço quem está viajando há três anos à custa de patrocínios, com pouquíssimo recurso próprio. 

Finalmente, viaje!!! Não importa a maneira. Viajar é descobrir e se descobrir. Ler livros e assistir documentários não te leva a nenhum lugar. É como ficar acelerando sua moto sem sair do lugar. A famosa zueira.

E zueira, estamos fora, não é o que se diz?

PS: tudo o que está escrito é baseado em minha experiência própria.... Há controvérsias, claro!!

PS2: ainda vou publicar um livro e uns documentários... mas só depois que parar de viajar. Viajar toma muito meu tempo!

PS3: qualquer semelhança com personagens reais é mera coincidência. 



[1] Para calcular a média de consumo de sua moto, encha bem o tanque e anote a quilometragem no momento. Percorra 100km e encha o tanque novamente, até o mesmo nível do abastecimento anterior. Divida 100 pela quantidade de litros que coube. O resultado é a média de consumo.

domingo, 23 de julho de 2017

Minhas impressões sobre o BCMW (Brasília Capital Moto Week)

1. No geral, achei melhor que no ano passado. 

2. Banheiro limpo e com chuveiro! (Pelo menos no que fui, atrás da administração).

3. O esquema dos caixas volantes foi uma boa ideia.

4. Alguns comerciantes aceitando dinheiro. Uns, alegando que não receberam a máquina para passar o cartão. Outros, pediram para não contar pra ninguém. 😉

5. Não achei muito justo a devolução do crédito dos cartões, via TED. Em todos eventos, a empresa devolve nos próprios caixas. Por outro lado, há várias 'urnas' para depositar os cartões, após o uso, cujo dinheiro será destinado a uma instituição: CRDP. 

6. A disposição das lojas está boa. Mas tem muitas lojas com os mesmos produtos. À boca miúda, dizem que a maioria é de um famoso moto clube. 

7. Todos reclamam. De alguma coisa. Motociclistas de um lado, vendedores de outro. Teve um vendedor de comida que me disse que motociclista é muito chato.

8. Muitas motos, mas não creio que tenha tantas quanto a organização diz. A Guerreira é a mais bonita. 

9. Muitos motociclistas acampados e moto clubes com barracas, bem organizadas. Algumas até com show ao vivo. 

10. Os preços das bebidas e comidas estão razoáveis. Não baratos. Não achei exploração, o que é comum em eventos.

11. Achei o som do show fraco, para quem estava lá atrás. 

12. O preço do ingresso não é caro. Pelo menos para quem vai assistir os shows. Paralamas e Jota Quest a 25 paus. Onde mais?

13. Várias opções de comida. Mas não estavam vendendo coxinhas, embora existissem em quantidade considerável por todo evento. 😉

Obs: só fui na sexta, 21, à noite e hoje, domingo, 23, à tarde. Não comprei nada. Só comida e bebida. Volto na sexta, pro show do Jota Quest. Só. 

Conclusão: é um negócio. Não é um encontro de motociclistas! Nem de motoqueiros! 

O objetivo é claro, lucro, como qualquer outro negócio. E muito bem sucedido. Críticas sempre terão. Assim como elogios. 

Parabéns aos organizadores. Aos expositores. Aos motociclistas e motoqueiros, que, na verdade, são os que possibilitam o sucesso do evento. Sem eles, o lucro não existiria. Reclamando ou elogiando.

O ruim é beber e sair de lá imaginando se tem blitz do DETRAN. Bafômetro!!! 😡😡

quarta-feira, 19 de julho de 2017

De Brasília a Puerto Maldonado

Viagem adiada por diversas vezes (inicialmente sairia dia 10/6. Depois, 15/6), decidi, quase de última hora, fazer um pouco diferente do usual. 

Era um domingo, por volta das 11h. Como o percurso até Primavera do Leste superava 800km, decidi saí naquela tarde de 18 de junho mesmo. Saí às 15:40, passando por Anápolis e Nerópolis. Pernoitei em Itaberaí. Foram 274km percorridos em 3h15. Estrada boa. Sem buracos nem surpresas. 

19/6: De Itaberaí a Primavera do Leste. Saí às 8:30. Cheguei 14:00 (hora local, 1h a menos). 580km em estrada de razoável a boa. Alguns remendos e obras, mas sem buracos. Dá para ir a 120, 130km/h, tranquilo. Muitas placas indicando aldeias indígenas no trajeto. Veja o vídeo:



20/6: De Primavera do Leste a Cáceres. 543km. Sai 9:30. Estrada boa. Errei o caminho. Tive que voltar 25km, pois queria passar pela Chapada dos Guimarães, ou seja, pela BR251, e passei direto pela BR-070, logo após Campo Verde, cujo acesso para a chapada fica logo no final desta cidade. Muita neblina na chapada. Visibilidade muito pequena, de 10 a 15m. Almocei no alto da chapada, esperando que melhorasse, e fui. Logo depois da chapada, como que por um milagre, a neblina acabou. Estrada muito boa, em todo o trecho. Paisagem muito bonita. Tirei foto no palácio Paiaguás, em Cuiabá, para o desafio Bandeirante Fazedor de Chuva, e continuei até Cáceres, onde cheguei às 17:15. Passei num mercado para comprar 2,5 litros de água, o que faço diariamente, e shampoo. Não gostei do hotel que havia selecionado. Escolhi outro, que só fui achar às 18:30.

21/6: Sai de Cáceres às 09:30 e cheguei em Vilhena às 16h. 554km. Estrada muito boa. Um pequeno trecho em obras. Encontrei o Uillian e sua esposa Karine, logo na saída de Cáceres. Eles são de Cacoal e voltavam da Serra da Canastra. À noite, me encontrei com o motociclista Filipe Fars e jantamos, além, claro, de pegar boas dicas das condições da estrada dali pra frente.

22/6: A ideia inicial era ir direto até Porto Velho. Mas de tanto ouvir falar das condições péssimas da estrada, e porque estava um pouco cansado, resolvi pernoitar em Ji Paraná. No meio do caminho. Assim, sai às 9:30 e cheguei cedo, às 15h. Foram 341km em estrada boa. Um trecho em obra e pouquíssimos pequenos buracos que não atrapalham a viagem. Parei em Cacoal para encontrar o Uillian e almocei no caminho. 

23/6. De Ji Paraná a Porto Velho. Sai às 08:45. Cheguei às 14:00. Foram 394km. Estrada razoavelmente boa. Pequeno trecho em obras. Cheguei mais cedo para conhecer a cidade e tirar foto para o desafio Bandeirantes Fazedor de Chuva. Saindo mais tarde e chegando cedo nas últimas três cidades foi uma estratégia para não ter que ficar um dia inteiro descansando em Rio Branco, no dia seguinte. Valeu a estratégia!

24/6: De Porto Velho a Rio Branco. Sai às 08:20 para percorrer 524km. Cheguei às 14:30. 1h a menos de Porto Velho. Estrada boa. Pouquíssimos buracos, que são vistos de longe. Alguns trechos em obras, sem asfalto (uns 200m). Uma reta só. 120km/h o tempo todo. Monótono. Alguns poucos e feios vilarejos.



25/6. De Rio Branco a Puerto Maldonado. Sai às 08:15 para percorrer 590km. Cheguei às 17:15. Fiquei 1h na imigração e aduana, porque cheguei na hora do almoço. Aí, tive que esperar o oficial, que estava almoçando. Estrada razoavelmente boa. O trecho final, antes da fronteira, tem alguns buracos, visíveis de longe. Sem crateras, como muitos afirmam existir. Mas houve operação tapa buracos recentemente. Pode ser por isto. Na aduana e imigração foi muito rápido, sem burocracia. Almocei antes em Assis Brasil. Soat: 115,00 por um mês. Câmbio: 0,95 soles por um real.




Filipe Fars

Uillian e Karine

Fotos, prints da Gopro:


Chapada dos Guimarães