quinta-feira, 5 de julho de 2018

Censura e intimidação, comigo não, BCMW

O face do BCMW publicou um vídeo explicativo sobre a cobrança de garupas, na edição de 2018. É claro: 'Garupas, ATÉ ÀS 18h NÃO PAGAM'. No vídeo (aqui), além de deixar isto bem claro, há uma tentativa exdrúxula de comparar o evento, que é privado, ao carnaval e ao Réveillon, que são eventos públicos. Talvez para justificar o dinheiro público disponibilizado para o evento. Talvez. A verificar...

Falei o que penso sobre isto, e, ao que tudo indica, falei a verdade. O BCMW me censurou, antes de fazer a correção no texto deles...


da internet
No texto do site (veja aqui) estava muito claro que só motoclubes poderiam adquirir os adesivos que garantiria o acesso de garupas ao evento. 


Ou seja, para quem sabe ler, garupas de motociclistas que NÃO pertencem a motoclubes teriam que pagar como se pedestres fossem (40,00/dia ou 280,00 por dez dias). 

Em razão disto, escrevi um post aqui no blog, com o título “Algumas garupas não são bem-vindas no BCMW” (aqui), onde deixei claro que não tenho nada contra a cobrança, muito pelo contrário, mas alertando sobre a discriminação com os motociclistas que não fazem parte de motoclubes. Poderia ter sido um erro dos organizadores se referirem a motoclubes e não a motociclistas. E foi, pois corrigiram... (veja no final) 

Fiz um comentário lá no post da página do evento, onde muitos criticavam a cobrança e poucos defendiam. Disse, no meu comentário, que a questão não era a cobrança, mas a discriminação com os motociclistas que não pertencem a motoclubes

Logo em  seguida o BCMW solicitou que retirasse o texto do blog do ar, alegando que não houvera autorização. Como, cara pálida???


Revisei todo o texto do blog para verificar se havia alguma correção a fazer. Ou qualquer ofensa. Não havia. Consultei o site do INPI se haveria algum impedimento para uso de marca registrada. Não havia. Até porque a marca do evento ainda não foi registrada. Está sobrestada, ou seja há questionamentos:



Assim, não havia razão alguma para retirar a matéria do meu blog do ar. Se o texto continha inverdades, bastaria nos informar que corrigiríamos imediatamente. Se houve alguma ofensa de minha parte, era só falar. Se a informação de que somente motoclubes poderiam adquirir os adesivos estivesse equivocada (não estava), era só falar, que me retrataria e corrigiria imediatamente. 

O pedido para a retirada, para mim, tem apenas um sentido: tentativa de intimidação e de censura. Comigo não funciona. Fale e escrevo o que penso. Não tenho rabo preso e nem tampouco interesse comercial algum. 

Respondi que não preciso de autorização para manifestar o que penso nem muito menos para divulgar dados que são públicos.

A atitude dos organizadores do evento, que não é evento de motociclistas, mas sim comercial, com objetivo de lucro (nada contra), não condiz com o que o próprio site do evento propaga. Somos caveiras, somos todos iguais:


Como não retirei o texto do ar, meu comentário foi excluído e fui bloqueado na página do evento. Não posso curtir nem comentar mais nada. Só posso compartilhar... Estou em dúvida se perco algumas noites de sono por isto...

Após o texto publicado aqui no blog, o BCMW alterou o texto deles. Agora, motociclistas, que pertencem ou não a motoclubes, que tenham ou não espaço no evento poderão também adquirir os adesivos (aqui). Valeu o meu alerta...
Trocaram o 'motoclubes' por 'motociclistas'

Todavia, ao que parece, o privilégio continua com os Motoclubes. Segundo informações recebidas de um amigo que esteve no evento, em 19/07, os membros de motoclubes não pagarão pelos adesivos, ao contrário dos motociclistas que não possuem vínculo com motoclubes. A discriminação continua... (a verificar)


Parabéns aos organizadores pela correção do erro.



PS:
1) Quanto ao uso de dinheiro público para realização de evento privado, com cobrança de ingresso e venda de espaços, com objetivo de lucro (nada contra), vamos questionar as autoridades competentes sobre sua legalidade. 

2) Sempre vou ao evento (aqui), umas três noites. Basicamente para assistir aos shows (ótimos, sem dúvida) e porque é aqui em Brasília. Se fosse em outra cidade, não iria. 

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Algumas garupas não são bem-vindas no BCMW

O BCMW (antigo Moto Capital), em 2018 adotará a cobrança de garupas para acesso ao evento. 

É sabido que o Brasília Capital Moto Week é um negócio como outro qualquer, cujo principal objetivo é o LUCRO. Nada errado nisto. Estamos num país capitalista, graças a Deus! 

Para obtenção deste lucro deve ter havido (será?) investimentos dos organizadores. Inclusive, mais de 1,4 milhão de reais de recursos públicos foram destinados ao evento de 2017 (aqui). Isto, ao meu ver, está errado. Mas enfim... Brasil...

A receita advém da cessão de espaços para motoclubes, para lojas de artigos para motociclistas, de alimentação, da venda de ingressos, etc. 

Estima-se, para 2018, um público de 750.000 pessoas e 270.000 motos (duvido!). Há muito exagero nestes números, principalmente no que se refere ao número de motos. Em 2017 disseram que 40.000 motos participaram do passeio. Isto é mentira. Filmei e o número não chegou a 8.000. Veja aqui

O ingresso para uma pessoa (até então, não-motociclista e não-garupa), para um dia, custará 40,00. Para dez dias, 280,00. Particularmente acho isto muito barato. Quem não é motociclista ou garupa, tem que pagar mesmo. Mesmo achando barato, creio que a arrecadação com ingressos ultrapasse a cifra de R$ 5.000.000,00. (Os organizadores devem estar rindo desta minha estimativa, pois é bem mais que isto...)

Na edição de 2018, que ocorrerá no final de julho, uma inovação polêmica. Garupas, principalmente de motociclistas que não pertencem a nenhum motoclube, pagarão para ter acesso ao evento. Ou se sujeitarão a uma pequena 'humilhação', que explicarei logo abaixo.
Foto by Celso JF
Exceto, em algumas situações, se o motociclista pertencer a motoclubes.

Esta inédita cobrança deve-se ao fato de que muitos motociclistas, principalmente mototaxi e motofretistas, saíam várias vezes para entrar com 'pseudo-garupas', sem pagar o ingresso oficial de acesso. Tinha até 'ponto' para o 'embarque'. Claro que estava errado. Era questão de tempo coibirem isto. Mas, quantas garupas entravam assim? Qual o “prejuízo” causado com esta atitude? Não faço a menor ideia. Mas estava errado, qualquer que fosse o prejuízo. [chamei de pseudo-garupa aquela pessoa que não tem vínculo algum com qualquer motociclista e quer entrar no evento sem pagar]

Mas atiraram no que viram e acertaram no que não viram

Muit@s motociclistas vão ao evento com suas esposas, esposos, namoradas, namorados, filhas, filhos, etc. E NÃO ENTRAM COM PSEUDO-GARUPAS! Eu sou um deles - vou, em alguns dias, com minha esposa! 

Muitos, assim como eu, não pertencem a nenhum motoclube. Para entrar com suas garupas 'oficiais' terão três alternativas:

1) conseguir um adesivo com algum membro de motoclubes com espaço no evento. Isto é humilhação.
2) pagar o ingresso normal, como qualquer pessoa (R$ 40,00/dia). Se for com minha esposa, farei isto. Se for...
3) entrar no evento antes das 18h. 

As pseudo-garupas continuarão entrando. Só que agora, de forma 'oficial'. 

Serão distribuídos 'ingressos', em forma de adesivos, gratuitamente, aos motoclubes que alugaram espaço dentro do evento. Quem alugou tenda, receberá 15 adesivos; meio galpão, 25 adesivos; galpão inteiro, 40 adesivos. Todos adesivos (ingresso) com direito a dois acessos, não cumulativos, por dia. Ou seja, cada 'ingresso' dará direito à entrada de até duas pseudo-garupas por dia! Ou uma garupa oficial e outra não.

Motoclubes sem espaço no evento ou que tenham espaço e queiram mais 'ingressos' para garupas, poderão adquirí-los, ao custo de R$ 10,00/dia; R$ 20,00 para cinco dias ou R$ 30,00 para os 10 dias. Todos com direito até 3 acessos, não cumulativos, por dia.

Fiz e repeti a seguinte pergunta aos organizadores e não obtive resposta: "Motociclistas que não pertencem a motoclubes poderão comprar os adesivos nas mesmas condições dos motoclubes? R$ 10,00 para um dia ou R$ 20,00 para cinco dias ou R$ 30,00 para dez dias?" Se não respondeu, óbvio que a resposta é negativa. Aliás, a resposta foi a seguinte: "Todas as garupas até as 18h terão entrada gratuita".

Resumo da ópera: garupas de motociclistas que não pertencem a motoclubes não são bem-vind@s. Motociclistas que não pertencem a motoclubes são tratados de forma diferenciada e discriminatória.

Motociclistas, sejam quais forem, inclusive motofretistas e mototaxistas, poderão acessar com suas garupas ou pseudo-garupas quantas vezes quiserem, livremente. Desde que o façam até as 18 horas.

Por fim, contraditório o fato de que os motociclistas que condenam a cobrança de pedágio de motociclistas nas rodovias são os mesmos que defendem a cobrança de garupas num evento destinado aos motociclistas. Vai entender...


Comunicado oficial obtido através de diálogo privado na página oficial do BCMW e disponíveis aqui no site do evento:

Diante das sugestões recebidas nas últimas reuniões com os motoclubes e com o intuito de melhorar cada vez mais o nosso evento, encaminhamos abaixo informações importantes acerca do acesso de garupas no Brasília Capital Moto Week 2018.

Os motoclubes com espaço dentro do evento terão direito, sem custo adicional, a franquias de acesso para moto com Garupa, nas seguintes condições:

- Motoclubes com tendas: 15 adesivos para moto com garupa dando direito a até 2 acessos, não cumulativos, por dia.
- Motoclubes com Meio galpão: 25 adesivos para moto com garupa dando direito a até 2 acessos, não cumulativos, por dia.
- Motoclubes com galpão inteiro: 40 adesivos para moto com garupa dando direito a até 2 acessos, não cumulativos, por dia.

Os motoclubes que não possuem espaço no evento ou desejam obter um número maior de acessos de motos com garupa, poderão adquirir o adesivo conforme abaixo descrito:

- Adesivo com validade de 1 dia: R$ 10,00 com direito de até 3 acessos no mesmo dia da primeira utilização.
- Adesivo com validade de 5 dias: R$ 20,00 com direito a até 3 acessos, não cumulativos, por dia.
- Adesivo com validade de 10 dias: R$ 30,00 com direito a até 3 acessos, não cumulativos, por dia.

Motociclistas, pilotando suas motos sem garupa têm acesso livre e gratuito ao evento. Motos com garupa e motos sem garupa acessarão o evento em locais distintos.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Baús GIVI substituídos

Registro:

Quando comprei a Super Tenere, em abril de 2016, escolha fácil porque é a big trail que dá menos problemas, me fiz a seguinte pergunta: quais baús devo comprar?

Vários motociclistas me deram algumas sugestões. Até para mandar confeccionar, em oficinas de fundo de quintal, aqui de Brasília. Economia de uns 2.000 reais. Comprar uma moto de mais de 50k e economizar 2k, num acessório que iria usar muito e por bastante tempo, não faz meu gênero. Nem tampouco, faz sentido. 

Escolhi, tal qual escolhi a moto. Os melhores! Adquiri os baús da GIVI (OBK42B e OBK37B). Comprei por telefone, na Adão Metais (SP) e os recebi em dois dias.

Assim que os instalei, apresentou uma folga entre os baús e o suporte. Imediatamente informei ao vendedor, que disse que entraria em contato com a GIVI e iria resolver. Passados uns dois meses, enviou peças novas que fixam os baús aos suportes. Não resolveu

O problema permaneceu por vários meses. Não deixei de viajar por isto, pois me garantiram que os baús não cairiam. Fiz um vídeo (aqui) e o postei em alguns grupos. Muitos motociclistas 'entendidos' disseram ser folgas normais. Claro que não concordei. 

Fui encaminhado para a ADV Motorspart aqui de Brasília, onde tive um atendimento nota 10. O Sr. Manoel, proprietário da loja, fez tudo o que podia, mas o problema não foi solucionado. 

Enfim: passados quase dois anos após a compra, portanto dentro da garantia, a GIVI trocou os baús, sem qualquer custo para mim. Em abril de 2018. 

A folga desapareceu por completo. Conclusão: defeito de fabricação. Acontece. 

Fico imaginando se tivesse seguido as sugestões dos motociclistas do face, muitos com relativa experiência, e adquirido uns de 2ª linha ou fabricados em fundos de quintal. Se dessem problemas, seriam substituídos?

Fica aqui o registro do profissionalismo da GIVI, da Adão Metais e da ADV Motorspart. Demorou para resolver, é verdade. Mas respeitaram o direito do consumidor. Estão de parabéns!!

Aqui o vídeo com os novos baús instalados. Sem qualquer folga:





quarta-feira, 6 de junho de 2018

No meio do caminho tinha muita areia

Algumas das estradas não pavimentadas do Norte de Minas Gerais possuem muita areia. Eu não gosto deste tipo de terreno. Já quase cai num banco de areia que surgiu de repente. 

Por esta razão sempre pergunto, para os locais, se há bancos de areia no caminho. 

Na ida para Miravânia esqueci de perguntar e, quando faltavam 30km para chegar ao município, tinha uma parte não pavimentada e com areia no piso. No início até que deu para ir bem, mas apareceu um trecho (8km, segundo o motorista de uma caminhonete que passou enquanto eu avaliava a situação) com muita areia (veja o vídeo). 

Decidi recuar. Com três bauletos, dois galões de gasolina sobre o banco e pneus mais para asfalto, era muito arriscado. E, viajando solo, não posso me dar ao luxo de errar. De cair.

Voltarei. Quem sabe com uma galera que curte um off road e aproveitamos e vistamos o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu?

Mas não foi só. Dois dias após, saindo de Icaraí de Minas para Ubaí, havia um atalho de 22km, não pavimentado, e perguntei aos moradores e a resposta foi que não tinha bancos de areia. E fui.

No início, tinha um pequeno trecho com areia. 

Passei por ele, devagar e, depois, só estrada cascalhada, o que não traz maiores perigos. Parei numa comunidade próxima e perguntei se tinha mais areia e me disseram que não. Fui...

Mas tinha. Não devia ter confiado tanto. (Dias atrás teve a travessia do rio...  Você pode ver aqui)


Entrei no areião a uns 40km/h. A moto ziguezagueou, perdeu velocidade rapidamente e, quando vi que não ia conseguir mantê-la de pé, pulei no areião tal qual nos meus velhos tempos de goleiro. Não podia correr o risco da moto cair sobre minha perna. 

Dá para ver o rastro da moto marcado na areia...

Nada sofri. Não considero queda porque pulei da moto antes de ela tombar. 

A moto teve pequenas, muito pequenas avarias. 

Baú amassado
Só sujeira...
Mais sujeiras...
Sujeiras e danos na fixação do suporte da garrafinha.
Nada demais, exceto a quina do baú que teve o reforço interno quebrado. Detalhe: estreava os baús novos, trocados pela GIVI após quase terminar o período de garantia. ;(
Só substituí-lo...
Levantei a moto, com ajuda de dois 'bebuns' que estavam num bar próximo, e segui adiante. Com toda cautela possível. 

Não sei se há cursos para trafegar em areias que surgem de repente... se tiver, vou fazer. 

É minha única deficiência em pilotagem. Realmente fico receoso em enfrentar este tipo de terreno. 


sábado, 2 de junho de 2018

Caverna do Janelão: Uma maravilha da natureza escondida no norte de Minas Gerais

Depois de visitar 622 municípios de Minas Gerais, não escrevi nada sobre qualquer um deles, aqui no blog. Vi diversos lugares lindos, desconhecidos da maioria dos brasileiros e até dos mineiros. No final da viagem pelos 853 municípios, vou relacioná-los e contar os detalhes. 

Mas este lugar é um dos mais bonitos que já estive em todas minhas viagens, por 18 países e quase todos estados brasileiros. Supera, em beleza, as lagunas da cordilheira branca no Peru e a maioria das atrações do Atacama, por exemplo. E qualquer outra Caverna do Brasil.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Danilo Couto na BR-319 - 5 dias de sufoco!!

O Danilo Couto é um motociclista de Rio Claro/SP, que está viajando, de moto, por todos os países das três Américas. Uma viagem de 3 anos, com mais de 80 mil quilômetros. A previsão é de gastar, em média, R$ 1.000,00 por mês.

Sua aventura pela BR-319 é digna de registro. Por isto abrimos uma exceção aqui no blog para, com autorização do próprio Danilo, reproduzir sua aventura pela BR-319, em maio de 2018, em plena época de chuvas...

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Abastecimento na Bolívia - o que diz a Lei


Muito se comenta sobre abastecimento de veículos estrangeiros em território boliviano. Há muita desinformação. Ou melhor dizendo, muita informação errada.
Guerreira abastecendo na Bolívia - Puerto Suarez
E não somos somente nós, estrangeiros, que entendemos errado. Os bolivianos também não compreenderam muito bem a lei que regulamenta o abastecimento de veículos na Bolívia.

Assim, aqui vai minha contribuição, após a leitura e análise das normas lá do País:

Na Bolívia, o abastecimento de combustíveis é uma atividade considerada serviço público. O Estado é o único responsável pela produção, transporte, refino, armazenagem, distribuição, comercialização e industrialização dos combustíveis. E cabe, ao Ministério de Hidrocarburos y Energia, editar as normas regulamentares.

Em 2008, os preços dos combustíveis na Bolívia eram bem menores que o praticado nos países limítrofes (Peru, Chile, Argentina e Brasil). Em decorrência disto, era comum, com prejuízo da economia nacional, contrabando do combustível por pessoas físicas e jurídicas residentes nestes países, e, pior que o prejuízo, prejudicava a continuidade do abastecimento interno.

Assim, o governo entendeu ser necessário estabelecer preços diferenciados para veículos com placa estrangeira. O presidente, através do Decreto Supremo n° 29.814, com vigência a partir de 1o de janeiro de 2009, regulou a venda de combustíveis a estrangeiros. As condições para comercialização da Gasolina Especial Internacional e do Óleo Diesel Internacional foram definidas neste Decreto (link no final do post).

Primeiro, o que poucos sabiam (inclusive eu), é que, segundo o Decreto, o preço diferenciado é válido apenas para comercialização dentro dos 50km (cinquenta quilômetros) das fronteiras e nas áreas de risco. Fora deste perímetro (ou das áreas de risco), o preço deve ser o mesmo que é praticado para os veículos com placa da Bolívia, denominado “Preço Final”. Mas isto não é respeitado, como sabemos.

O Preço Final é o preço da Gasolina e do óleo diesel a ser praticado no mercado interno, para veículos com placa da Bolívia. Preço Final Internacional é o preço determinado pelo Governo para comercialização a veículos com placa estrangeira.  A diferença entre o Preço Final internacional e o Preço Final é denominada “Diferencial de Preço Internacional”, que deve ser depositado, pelas estações de serviços (postos de combustíveis), numa conta bancária específica e num determinado prazo. Os postos que comercializam o combustível para estrangeiros recebem uma comissão a mais por isto, calculada em cima desta diferença.

Os postos, em geral, devem emitir duas faturas. Uma, considerando o Preço Final e outra, com a diferença, ou seja, o acréscimo, no caso de abastecimento de veículos com placa estrangeira. Se a estação de serviços for de propriedade da YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), será emitida apenas uma fatura, com o Preço Final Internacional.

A fiscalização está a cargo das Forças Armadas e da Polícia Nacional. As estações de serviço que descumprirem a referido Decreto Supremo serão penalizados. Na primeira vez, com suspensão das atividades por um período de 120 (cento e vinte) dias. Na reincidência, será revogada a licença de operação. Aí, penso eu, reside a resistência de algumas estações de serviço venderem combustíveis a estrangeiros. Medo de serem penalizadas! O que é compreensível, pois o prejuízo, para elas, seria enorme. Imaginem ficar com o posto fechado por 120 dias...

Ocorre que, ao contrário do que diz o Decreto presidencial, o preço internacional é cobrado de todos veículos com placa estrangeira, em qualquer cidade, inclusive fora do raio de 50km da fronteira ou das áreas de risco. O que, de certa forma, constitui-se em descumprimento do Decreto editado pelo Presidente da República. Mas, para nós, estrangeiros, não há muito o que fazer... Vale dizer que em alguns raríssimos postos, fora dos limites estabelecidos no decreto, se cobra o Preço Final de todos. Em alguns, cobra-se este Preço Final acrescido de um percentual, mas sem emissão da Nota Fiscal...

Mas... e quais são as áreas de risco? 

De acordo com o Decreto Supremo 29.753, de outubro de 2008, as áreas de risco são as populações fronteiriças e intermediárias e as vias de acesso às primeiras, em que haja risco de contrabando de combustíveis. Este risco é baseado em informações prestadas pela Policia Nacional, pelas Forças Armadas e também pelas aduanas.

Subentende-se, portanto, que Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba, Sucre, La Paz, Potosi, entre outras, estão fora das áreas de risco e o preço do combustível, segundo o Decreto, deveria ser o mesmo praticado para os nacionais!

Importante ressaltar que o Decreto também  proíbe o armazenamento, para comercialização, em lojas de qualquer tipo ou residências não autorizados pelo YPFB. Caso seja constatado tal fato, a Policia Nacional, as Forças Armadas e a Aduana estão autorizadas a confiscar o combustível e os respectivos reservatórios, encaminhando os infratores ao Ministério Público para que sejam processados por ágio e especulação, exposição a perigo e outros.

Não está claro, todavia, se os consumidores estrangeiros também serão processados. Mas, se está proibido a comercialização e alguém adquire combustíveis nestes estabelecimentos não autorizados, creio que também poderão processados. Poderão!

Fontes: 

Decreto 29.753/2008 - veja aqui
Decreto 29.814/2008 - veja aqui