sábado, 17 de abril de 2021

Primeiro Valente Fazedor de Chuva de Minas Gerais

Sem qualquer sombra de dúvida, os desafios dos Fazedores de Chuva incentivam qualquer motociclista a fazê-los. Embora pouquíssimos o fazem...

Entre eles, destaco:


O motociclista pode percorrer algumas rodovias, de ponta a ponta, se tornando um Rodoviário Fazedor de Chuva (RFC). Desafio com dificuldade quase igual para quase todos. 


Pode visitar todas as capitais do Brasil, o que lhe garante o título de Bandeirante Fazedor de Chuva (BFC). Dificuldade praticamente igual para todos


Ir do fim do mundo (Ushuaia, na Argentina) até o topo do mundo (Prudhoe Bay, no Alaska). Se torna um Grande Cacique Fazedor de Chuva (GCFC). Mesmíssima dificuldade para todos. Com muitas variações apenas no roteiro, tornando-o mais difícil ou não. 


Mas tem um desafio que as dificuldades são díspares: o de visitar todos municípios de um estado da federação, fazendo jus ao “título” de Valente Fazedor de Chuva (VFC). Independente de qual seja o estado. 


Visitar todos municípios de Sergipe (75), ou do Espírito Santo (78) não chega nem perto da dificuldade de visitar todos municípios de Minas Gerais (853) ou de São Paulo (645), por exemplo. 


Sem mencionar Roraima, que tem só 15 municípios. 


Estes estados com menos de 100 municípios (são 9) é possível visitar todos em apenas uma viagem, de uns oito dias. Se ampliarmos para 200 municípios, são 16 estados. Numa viagem de 20 dias se visita todos, com relativa tranquilidade. E quase nem precisa de planejamento. Começa no norte e vai descendo para o sul... ou o contrário, ziguezagueando entre os municípios, lateralmente... ou começa no leste e vai ziguezagueando para o oeste...


Mas, Minas Gerais não. São necessárias várias viagens e um mínimo de planejamento para não ficar nenhum para trás... 


Alguns dirão: Mas... cada estado tem suas dificuldades. É verdade. Dificuldades no que diz respeito às condições das estradas, principalmente.


Mas só Minas Gerais tem 845 municípios. Exatamente 208 a mais que São Paulo, que tem 645 e 356 a mais que o Rio Grande do Sul, segundos e terceiros colocados, em número de municípios, respectivamente.  Apenas nove estados tem mais municípios que 208 e 4 tem mais que 356.


Até agora só dois conseguiram visitar todos os municípios de Minas Gerais. Eu, de Patos de Minas e o Alisson Campos, de Patrocínio. Curiosamente, duas cidades da Região do Alto Paranaíba e distantes apenas 75km uma da outra. Região de povo Valente...


Salvo engano, mais oito estão visitando MG e só 5 Fazedores de Chuva concluíram São Paulo e 6, o Rio Grande do Sul.


Eu fui devagar. O Alisson, o 2° a concluir MG, voou. Começou em 27/06/20 e terminou em 4 meses e 28 dias (veja o registro aqui). Foi rápido. Eu comecei exatos cinco anos antes deste post, em 17/04/2016 e terminei em 27 de setembro de 2020. Ou seja, 4 anos, 5 meses e 10 dias (veja aqui). Mais de dez vezes o tempo que ele. Caboclo rápido esse Alisson...


Mas, eu, com toda essa minha vagareza, fui o primeiro... o primeiro a visitar todos municípios de Minas Gerais. Sequer imaginava ou pensava nisto quando estava fazendo o desafio. 


Sabe o que isto significa? NADA além de um registro para ficar na história.


Vejo uma grande “injustiça” nesse desafio, o que não ocorre nos outros. 


Todos que visitam os municípios de um estado são denominados, igualmente, de “Valente Fazedor de Chuva”. Seja aquele (ou aquela) que visitou os municípios de Roraima, do Espírito Santo (o queridinho da maioria) ou aquele que visitou os de Minas Gerais, cuja quantidade de municípios equivale a mais de 56 Roraimas. 


Para efeito de comparação, as regiões Centro-Oeste e Nordeste, juntas, possuem 916 municípios (63 a mais que MG). Minas Gerais tem mais municípios que a soma dos municípios de Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Amazonas, Sergipe, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Alagoas e Tocantins. 


Sacaram a “injustiça” de igualar quem visita todos municípios de Minas Gerais com quem visita os de Sergipe? Ou de Santa Catarina?


A Certificaçāo deveria ter, pelo menos, a sigla do estado na frente e numeração correspondente a ordem de conclusão. Tipo: “Valente Fazedor de Chuva ES-35º”, “Valente SP-8º”, Valente MG-1º”, etc. Fica a dica. Mas não tem. Só diz que eu sou o 164º VFC. 


Mas vale registrar que, no site dos Fazedores de Chuva, a lista dos viajantes está separada por estado (aqui). 


Embora não signifique nada, fiz questão de colocar, no certificado, que fui o primeiro a concluir o desafio de visitar todos municípios de Minas Gerais. Só para provocar quem queira ser provocado e para ficar registrado para sempre, pelo menos para meus netos. ;)


Qualquer um pode fazê-lo, mas eu fui o primeiro. haha



Ao concluir o desafio, além do certificado, o motociclista recebe uma belíssima camiseta e os escudos, ao custo simbólico de R$ 200,00 (duzentos reais):




quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Off Road, de moto, com destino a Pirenópolis

Como é sabido, tenho a alma inquieta. Sou um motociclista de viagem. Me incomoda muito ficar sem 'pegar' uma estrada. Ou, no mínimo, fazer um passeio um pouco mais longe do que ao Rota 60, Jerivá, Cristalina, Ficus, Formosa, Rota do Algodão, etc.

O ano de 2020 foi terrível, por conta da Covid-19, mas consegui fazer três viagens para Minas Gerais, concluindo a visita aos 853 municípios (veja aqui e o vídeo, aqui). No final de julho, final de agosto e final de setembro, entrando no início dos meses seguintes. E mais uns três passeios com amigos. E foi só!

Desde 2013, apenas em 2016 não viajei, de moto, para fora do país. 2013, Ushuaia. 2014, Alaska. 2015, Bolívia. 2017, Peru. 2018, noroeste da Argentina. 2019, Bolívia novamente. Assim, 2020 foi deprimente. Creio que somente no 2º semestre de 2021 as fronteiras estarão abertas.

Queria viajar no final do ano para o nordeste, mas não foi possível. Prometi para mim mesmo que 2021 seria diferente. Se não viajasse, faria pelo menos 2 passeios por mês, aqui por perto de Brasília mesmo, nem que fosse para os lugares preferidos pelos motociclistas de Brasília (afff). Mas é melhor que nada!

No primeiro sábado do mês (dia 2), logo após o café, um dia de sol muito lindo, peguei a moto e saí de casa. Mas para onde? Na primeira esquina decidi ir em direção a Padre Bernardo, pela BR-070. No caminho decidiria o destino. Fui quase próximo a Mimoso, saí da rodovia (BR-080) e entrei numa estrada de terra, que não sabia onde ia parar, mas imaginava que seria possível chegar em Cocalzinho. Pilotei por uns 20km e descobri que não chegava em nenhum lugar. Voltei para casa, passando por Águas Lindas (veja o #relive aqui).

No domingo (dia 3), a mesma coisa. Após o café, saímos, eu e minha esposa, para conhecer o LagoaTur, um clube recreativo na zona rural de Planaltina, Goiás (recomendo). De lá, segui para o Restaurante Dom Fernando por uma estrada que não conhecia: GO-430, asfaltada. E voltei pela BR-020, DF-345, DF-130 e BR-479, ou seja, por um caminho totalmente diferente. (veja o #relive aqui).

Na semana seguinte a estes dois passeios, me senti outra pessoa. Estava ficando deprimido. Como gostei muito daquele trecho sem asfalto lá perto de Mimoso, decidi que meus passeios seriam, predominantemente, por estradas não pavimentadas.

Acreditando que muitos motociclistas estejam na mesma situação, fiz um convite no grupo que administro no Facebook, para um passeio até Pirenópolis, por estradas de terra (off road). Dois, que não sabia quem eram, toparam. Rodrigo e Luís Guilherme. Quando nos encontramos no local de partida, foi uma grata surpresa descobrir que já conhecia o Rodrigo, filho do Wander Toledo, um amigo meu da época da adolescência.

Eu sabia o destino, mas não o caminho... até alertei aos interessados quanto a isto! Poderíamos nos perder. Alguns integrantes do grupo deram algumas dicas, o que me forçou a pesquisar o provável caminho.

Não achei quase nada. Só uma rota de um grupo de ciclistas, mas sem muitos detalhes. Para saber por onde passar tinha que adquirir um aplicativo. Fala sério... Daí, fui olhando no Google Maps, o provável caminho. Fiz umas marcações, com destaque para os entroncamentos e anotei as coordenadas (fácil fazer isto no Google Maps!). Depois, com estas marcações, tracei a rota no GM. Isto foi fácil.

Mas queria colocar a rota no GPS. E como fazer isto? Nunca tinha feito. Mas, se digo que farei uma coisa, não sossego enquanto não consigo! Assisti alguns vídeos, mas não dava certo. Li vários tutoriais, mas também não dava certo. Aí lembrei-me que o GPS Garmin tem um aplicativo (BaseCamp) que serve exatamente para isto. Nunca tinha usado.

Depois de várias tentativas, e umas 5h após, consegui colocar o mapa no GPS!

Na hora e dia combinados (8h10 de 9 de janeiro de 2021), saímos do Posto Playtime, em Taguatinga Sul. Seguimos em direção a Santo Antônio do Descoberto, pela BR-060. O início da estrada não pavimentada fica a 8,5km da cidade. 

A estrada, apesar de não ser pavimentada, é muito boa. Nem precisava eu ter marcado os pontos no Google Maps. As bifurcações eram entradas para fazendas. Com exceção de uma, à esquerda, a 12km, alguns metros antes do Rio Areias. Até pensei que tinha errado o caminho. O resto do trecho é só seguir pela via principal.

Num determinado trecho tinha umas poças de água. Numa delas, o Rodrigo deixou a moto tombar, o que fez com que levássemos algum tempo para resolver, porque a moto caiu atravessada e a poça estava muito escorregadia, o que dificultou muito. Mas tiramos a moto e prosseguimos.



Chegamos, após 26km após o asfalto, no Bar Zé da Ana, onde tem uma placa indicando duas direções. Uma para a cidade eclética e outra para Aparecida de Loyola, para onde íamos. O Bar funciona, mas só através da janela. Trafegamos por uns kms pela GO-225. Depois prosseguimos pelas estradas de acesso às fazendas.

31km após o asfalto (lá em S. A. do Descoberto) tinha a entrada para a Nex no Extinction, uma fazenda onde funciona uma ONG que cuida de onças feridas. Fomos até lá, mas estava fechado. É necessário agendamento.

1km após a entrada para a NEX, chegamos em Aparecida de Loiola. Ao sair, o GPS (previamente programado), me enganou. Erramos o caminho por nada mais nada menos que uns 10km. Naquele sentido iríamos em direção a Olhos D'água. Não era nosso desejo. Voltamos!

Mais uns 15km chegamos num povoado, que não sei o nome. Os moradores disseram ser Morrinho, mas no Google Maps indica sr Mamoneira. Até este ponto, 47km desde o asfalto.

Saindo deste povoado, uns 4km, à esquerda, o Google Maps não mostrava a rota. Mas era possível ver um caminho indo por lá (seria um atalho?). Fomos lá ver porque o aplicativo não mostrava a rota. E descobrimos...

Neste pequeno trecho tivemos alguns percalços. Uma poça de água com muita lama e um cheiro de cocô de vaca. O Luís, que estava com muito calor, resolveu dar um mergulho...

Mais a frente, uma subida numa pedreira (literalmente), com alguns degraus, impossibilitava a passagem das motos, principalmente a do Rodrigo, uma DragStar. De bike acredito ser possível, mas apenas carregando a bicicleta. Veículos 4x4 passam, mas creio que com dificuldade. Até a cavalo, disseram os moradores do povoado, é difícil. Vídeo aqui  

Lá em cima é o problema...

Decidimos voltar, pois sabia que, uns 5km após Mamoneira, sentido Edilândia, havia um caminho que o GM mostrava a rota. Mas não conseguimos chegar em Pirenópolis. Com as várias paradas para papear, tirar fotos, visitar a NEX, resolver os perrengues e o tempo analisando a possibilidade de passar pela pedreira, o tempo voou. Já era 14h e faltavam uns 45km até Pirenópolis (estrada de terra). Chegar em Pirenópolis por volta das 17h não fazia sentido. Além disso, ameaçava uma chuva, reforçando a ideia de encerrar o passeio por ali mesmo. Chamei de 1ª ETAPA. Veja o vídeo aqui.

Vem chuva...

Faremos a 2ª ETAPA (de Edilândia a Pirenópolis), no dia 24 de janeiro (se não chover...).

Se alguém se interessar, as coordenadas principais do trecho são estas, na sequência: 

1ª ETAPA, de Santo Antônio do Descoberto até 5km após Morrinho (ou Mamoneira), onde encerramos o passeio, e a 9km de Edilândia:

Início: -15.922751,-48.330181

Virar à direita: -15.941010,-48.370341

Virar à direita: -15.964051,-48.411985 (Ponte sobre o Rio Areias)

Virar à direita: -15.946501,-48.459893

Virar à esquerda (Boteco Zé da Ana): -15.912548,-48.439436

À direita, entrada para Nex on Protection: -15.883391,-48.493247

Virar à direita, logo após Aparecida de Loiola (aqui eu errei!, segui direto): -15.880399,-48.503562

Virar à esquerda: -15.849344,-48.567683

À esquerda, pedreira (não conseguimos passar). À direita, entrada para caminho correto: -15.826747,-48.594887

Final da 1ª ETAPA: -15.799363,-48.565773 (de quem vem de Edilândia, virar à direita. Quem vem de Morrinho, virar à esquerda). Veja o roteiro total:


Obs.: Em algumas bifurcações, há uma placa afixada em uma árvore ou mourão, com uma seta vermelha indicando o caminho. Com exceção da bifurcação antes do Rio Areias e após Aparecida de Loiola, não há como errar.

Veja a placa, no mourão

Mais fotos abaixo. Aguardem detalhes da 2ª ETAPA!

Entrada do Off Road

À esquerda, Alexânia

Parada para contemplação

NEX on Protection

Cabra corajoso!!

Poças nojentas


Passagem impossível... (??)

Vistas lindas

Analisando a pedreira

Problema de perna curta...

Vistas lindas

Trecho muito complicado. Voltamos

Problema de perna curta...

Eca... bosta de vaca (fortuna???)

Sujou legal

Vem chuva (olha a placa na árvore)

Moto valente essa Drag Star

Banho no final (tirando a bosta kkk)