quinta-feira, 28 de novembro de 2013

3. De Moto, Com Deus, Com Destino a Ushuaia - A viagem

As postagens mais recentes estão logo no início dessa página. As mais antigas, no final, onde você também poderá comentar, o que só é possível pelo computador. Coisas do blogger. 
Vejam os vídeos no meu canal do youtube e as fotos no flicker.

Vejam aqui, a primeira parte da viagem. De Brasília a Santiago.

=====================
5/12. 21º dia. Rio Gallegos=>Ushuaia. 614km. 

Minha estadia em Rio Gallegos praticamente foi dentro do hotel. Ontem saí para comprar alguma coisa para comer na estrada. Pareceu-me ser uma cidade também bonita. 




Amanheceu chovendo. Todos os aplicativos de previsão do tempo davam chuva e até neve em Ushuaia. Que não me assustavam. Porém, enfrentar o rípio, molhado, para mim era uma incógnita. Na dúvida, consultei, pelo facebook, meu guru Osmar, que também está na estrada, voltando de Quito. 

Sem a resposta, seguimos viagem. Saímos às 10h30. Com dois planos alternativos. Se não for possível enfrentar o rípio com chuva, ou coloco a guerreira numa caminhonete e sigo, ou volto pra casa. As duas alternativas seriam decepcionantes pra mim. Mas disse, seja o que Deus quiser. 

Logo a chuva foi embora. E chegamos à fronteira com o Chile. Sem filas. Funcionando normalmente. Há 4 dias estavam funcionando apenas duas horas por dia. Tenho sorte. Ou melhor, sou abençoado. 


Encontrei um americano que está na estrada há um ano e já rodou 42 mil km nessa moto:


Cumprida as formalidades, inclusive tendo que comer as duas bananas que havia comprado na noite anterior, segui viagem. Um detalhe: quando cheguei na aduana, um cachorrinho muito simpático se aproximou da guerreira. E ficou cheirando o alforge onde estavam as bananas. Como nenhum alimento natural pode entrar no Chile, declarei as frutas e as comi antes de sair. 

Logo veio a travessia do canal, que o GPS mostrava com perfeição.


Encontrei 3 brasileiros em duas BMW e uma Triumph. E um Argentino que estava há 60 dias viajando pela América do Sul. 

Na travessia, enquanto estávamos na fila para pagar o que era grátis, por falta de informação, a valsa balançou muito. Perguntamos uns aos outros quase ao mesmo tempo: será que as motos não caem? Fomos até elas e nesse ponto a guerreira mostrou que é mais forte. As BM's e a Triumph estavam tombadas. Dali pra frente eles foram segurando as motos. O que fizeram muito bem. 


Antes do Rípio, abastecimento. Estava com 11 mil pesos chilenos. Coloquei 6 mil (7,5 litros) e fui em frente. Alguns poucos km depois a placa indicava:


E ele chegou. 


O rípio não é o problema da viagem. Coisa tranquila mesmo. Qualquer um pode passar por ele, sem maiores dificuldades. Exige apenas uma pilotagem diferente. Sempre olhando lá na frente qual o melhor caminho. O que complica mesmo é o vento no rípio. A estrada até que é regular. Melhor que muitas rodovias brasileiras, asfaltadas, mas cheias de buracos. Minha velocidade variava entre 50 a 100km/h. E com total segurança. 

Após 47km, obras num trecho paralelo à estrada. 


E alguns animais. Guanacos, eu acho. Um monte. 


Será que estão duplicando o rípio? Perguntei. Não, claro. É o governo chileno asfaltando o trecho. Asfaltando não. Concretando. Pavimento da melhor qualidade. 


Mas alegria de um pobre motociclista dura pouco. Só 20km. E novamente, mais cascalho. 


Mas logo chegamos em San Sebastian. Migração rapidinha. Lá encontrei uns canadenses que estavam vindo de Bariloche. Eles mandam a Bike até lá, descem pela ruta 40, e enviam de Ushuaia de volta. Belo passeio, disseram eles. 






Mais alguns quilômetros e o asfalto argentino surgiu. Um aviso: Quem quiser vir a Ushuaia, passando pelo rípio, que venha logo. São 114km, com 20km de asfalto exatamente no meio, o que dá 94km de rípio. Quando estiver tudo asfaltado, ou concretado, vai ser menos emocionante vir até aqui. 

Dali pra frente, prosseguimos nós quatro. Eu, a Guerreira, Deus e o vento. Bravo. Forte. Mas controlável. 

Uns 50 km antes de chegar em Ushuaia, o visual da estrada compensou todo o sofrimento. No horizonte, montanhas com neve. À direita, o lago Fagnano. Espetáculo. 




Finalmente, às 20h30, chegamos. De dia, ainda. Anoitece lá pelas 22h.


E, chegando no hotel, fui ver a resposta do Osmar: 
"... Quanto ao ripio molhado, vai que dá. A estrada normalmente é bem firme, mesmo molhada. Atente para não entrar em atoleiro."

Quem sabe, sabe. E foi exatamente assim. 

Outra coisa: Deus quis que esse trecho fosse vencido mais facilmente do que o trecho até El Calafate. O rípio foi moleza. Levei apenas 1h50, já contando o tempo na fronteira.

Fica a lição: não devemos recuar em nossos propósitos. Em nossos projetos. Em nossos sonhos. As dificuldades que aparecem nada mais são do que um teste para ver se estamos ou não determinados a fazer o que planejamos. O que sonhamos. E, mais importante que isso, um teste para ver se realmente acreditamos que Deus está conosco. Não titubearei novamente. Nunca mais. 

=====================
2/12. 18º dia. Rio Gallegos=>El Calafate. (640km de ida e volta)

Aqui desviamos um pouco da rota para conhecermos o famoso glaciar Perito Moreno. E amanheceu com muito frio e chovendo. 




Mas vamos lá.... Seja o que Ele quiser. 

Para ver como foi esse desvio planejado da rota, clique aqui. 19° e 20° dia de viagem. 3 e 4 de dezembro.

=====================
1/2. 17º dia. Comodoro Rivadávia=>Rio Gallegos. 815km. 

Não sei porque, mas hoje acordei muito cedo. Sem sono. Eram 5h40. Quando olhei pela janela, descobri a razão. O nascer do sol na Patagônia:

Pegamos a estrada às 9h. As belas paisagens são o forte dessa viagem. Em uma hora já estávamos em Caleta Olívia.


Muito vento. Mas confesso que esperava ser pior. Há uma aplicação imediata de uma das leis de Newton. A cada ação corresponde uma reação. Se o vento te empurra numa direção, naturalmente você reage. E nessa reação a moto se inclina, claro. Nesse trecho a inclinação foi de mais ou menos 15º. É tranquilo. 

Vi o primeiro acidente em toda a viagem. Um caminhão tombado numa saída de curva. 

Tudo ia muito bem por estrada maravilhosa. 



E a lâmpada no painel, acesa. Mas a moto funciona normalmente. 


E aqui registro que entrei em contato com o mecânico Davi da loja HD em Goiânia, por watsapp, e com o Bruce, da loja de Brasília. Ambos foram muito atenciosos e mandaram seguir. Já estava a 500km do ponto onde surgiu o problema quando vi as respostas. Obrigado aos dois.

De repente, umas goticulas na bolha. Chuva a vista! E que chuva. Paramos num posto e encontramos um casal harleyro que estava voltando de Ushuaia. Edson e Rosângela. Muitas dicas e uma foto. Olha o aguaceiro!

Segui debaixo de muita chuva, a qual adoro numa estrada. O meu receio era que começasse a nevar. Coisa que não aconteceu. Embora o termômetro da moto marcasse 30º F.

Enfim, às 20h chegamos em Rio Gallegos. 


E a previsão é de chuva para os próximos dias. Será que irá comprometer minha viagem?

A conferir. 
=====================
30/11. 16º dia. Esquel=>Comodoro Rivadávia. 596km. 

Após uma boa noite de hospedagem no Esquel ApartHotel, com proprietários super atenciosos e cordiais, saímos às 9h30, curtindo as excelentes estradas argentinas. 


Sinceramente não consigo compreender como as rutas argentinas, mesmo nos lugares mais ermos e distantes da capital ou de qualquer grande cidade, são excelentes e em nosso país elas são tão ruins. 

Mas, duas horas após rodar na mais alta velocidade já desenvolvida na viagem, devido ao quase inexistente tráfego, ao excepcional asfalto e às intermináveis retas, 140km/h (minha velocidade de cruzeiro tem sido 110km/h), duas coisas acontecem. 

Primeiro, ela deu sinais de cansaço antes de mim. Ela, a guerreira, apresentou um problema. O piloto automático, do nada, desligava sozinho. Foi assim por umas 4 vezes, até acender a lâmpada indicadora de funcionamento do motor. Como estava funcionando normal, prossegui. Ligava o piloto, momentaneamente a luz apagava, para depois acender novamente. Concluí que o problema era com ele e fui em frente. 

Segundo, o asfalto acabou! A ruta está em obras. Por mais de 20km, tive que rodar num desvio em estado lastimável. Em 5 oportunidades a guerreira quis conhecer o chão lateralmente. Evitei em todas elas. Acho que estou ficando bom em andar de moto em estradas ruins. Quem sabe uma BMW, daqui uns tempos.,.




Mas ele voltou novamente, e agora melhor ainda. O asfalto! Se o rípio que me espera lá na frente for igual esse desvio, vai ser complicado...


Parada para o almoço. Barras de cereais. 3 tem sido o suficiente. Sendo 1 de proteínas, que minha cara metade sugeriu e comprou. 

Mais uns km, com a guerreira abastecida e com a luz no painel acesa, as curvas e a paisagem diferentes, para nossa alegria, voltaram. 




Muito petróleo na área. Justifica o preço da nafta nessa região? 7,67 pesos argentinos, o litro? 

Essa placa me lembrou algo. Adivinhem o quê... Não espalhem por favor!

Às 16h30 chegamos ao destino desse dia. 

Falta pouco. 

=====================
29/11. 15º dia. Bariloche=>Esquel. 315km.
Antes de pegar a estrada peguei um ônibus de City tour e fui passear pela cidade. A
Como não tinha muito tempo, achei mais prático. 




Valeu os 70 pesos. A guia disse que essa árvore só cresce em Bariloche. 


Uma vista do cerro. 


A igreja. 


A loja de chocolates. 




Uma das atracoes da cidade. 

Mais fotos no flicker. 

Peguei a estrada às 13h. Como toda a região, as estradas são ótimas. A paisagem é inenarrável. 

De repente, prestando atenção nas placas que indicam os km, que vão diminuindo, estava na que indicava 2015. Curiosamente, não tem a de 2014 nem a de 2013. 

De repente, comecei a fazer um breve retrospecto de minha vida, de em ordem inversa, e decidi parar e tirar uma foto nos locais onde a indicação das placas representava os melhores momentos de minha vida. Como não tinha a de 2013, ano de nascimento do meu primeiro neto, comecei pela de 1998. 



Curiosamente também não tem a do ano 1983. No local tem uma planta com flores amarelas. Fiquei ali por alguns momentos tentando entender o significado. 

E continuei parando e tirando as fotos  



Foram mais de 60km, em pouco mais de uma hora de pura reflexão. No final, mais feliz ainda, pois me considero um cara realizado, segui curtindo o visual. 



Chegamos em Esquel às 17h30 e esperamos o restaurante abrir, às 20h30. Lugar muito bonito, pra variar. 


Antes de chegar no restaurante, encontrei uma turma de motociclistas em suas BM, que estavam há 10 dias rodando só nas estradas de rípio. Iam voltar para Buenos Aires, de avião, e as motos de caminhão, acreditem, porque a estrada não tem graça. É só asfalto!


Para encerrar o dia, uma trucha a la Patagônia acompanhada de um excelente vinho nacional. 


=====================
28/11. 14º dia. Osorno=>Bariloche. 258km. 

Hoje percebi que estou envelhecendo. Já já conto porque. 

Como a distância a ser percorrida hoje era pequena, me permiti dormir até mais tarde. Às 10h já estava na moto para pegar estrada. Mas só consegui sair às 11h15. Já já cinto porque. 

A estrada, do lado chileno não é muito boa. Digamos que é no padrão brasileiro. Inclusive o trecho todo está em obras. 


Parei num museu de carros antigos com ingresso a 3.000 pesos. Uma mixaria. Coisa de 15 reais. Mas não aceitava tarjeta. Como só dispunha de 10.000 pesos em efetivo, preferi não arriscar, porque não sabia se iria precisar mais à frente.

Mas a guerreira foi atração. 

A região é muito bonita. Com muitos lagos e montanhas. E muito fria também. 

Visual das estradas impressiona pela beleza. 





Mais alguns km e chegamos na aduana chilena, com uma fila enorme. Fui lá pra frente. Motivo da fila: paro. Greve dos empregados. De uma hora pra outra eles deixam de trabalhar. Os viajantes que se danem. Encontramos um grupo de motociclistas argentinos, todos em BMW, que estavam viajando pelo Chile e Argentina. 





Do lado argentino, o visual continua impressionando. 





Nota algo diferente em meu rosto, comparado às fotos dos últimos dias? Daqui a pouco eu conto. 

Um vulcão é o responsável pelo visual. E a principal atração até aqui. 




Villa Angostura. As fotos dizem tudo. 




Na primeira viagem solo que fiz, conheci o Paulo e sua esposa em Paracatu. E não é que os encontrei por aqui também? Eles voltavam de Ushuaia. 


Gentilmente me prestou a bandeira do Brasil para as próximas fotos. Com a recomendação para cuidar bem dela porque ela já esteve em Ushuaia. E o visual continua lindo. 






Após algumas retas, que voltaram a nos fazer companhia, chegamos no destino de hoje. 


Logo na cidade, o 1º posto temático da Argentina é da Petrobrás. 




E, para encerrar o dia: 


A foto mostra quanto estou longe de casa: 


=====================
27/11. 13º dia. Santiago=>Osorno. 950km. 

Amanheceu frio. Mas o dia está excelente para viagem, indica o aplicativo. 


Saímos às 9h30 de Santiago. Pegamos a ruta 5, padrão americano. Sem defeitos. Muito bem sinalizada. 




Aqui, tal qual na Argentina, tem os sinais no asfalto para, no caso de neblina, indica qual velocidade deve-se desenvolver. Se vê dois sinais, 60/h.


 Se vê um só, 40/h:


Muito boa a rede de postos COPEC. Preferi eles em detrimento dos postos da Petrobrás. Em todos os estabelecimentos do Chile aceita-se cartões de crédito. 


Após 11h de estrada, e muito vento de frente, o que aumentou sobremaneira o consumo, enfim chegamos em Osorno. 


Cidade bacana. Diferente, digamos.






O hotel que consegui não foi dos melhores. Tive que tomar banho frio num local onde os termômetros marcavam 8º. Mas foi bom para despertar o corpo, que, confesso, já está cansado.

Amanhã, Bariloche!

=====================
27/11 00h. Ainda em Santiago. 4.800km rodados.

Às zero horas desse dia em que iniciarei a 2º e última etapa da jornada até Ushuaia, estou aqui, sozinho, refletindo sobre a vida e sobre tudo. 

Amigos, trabalhem para ter apenas o suficiente e o necessário. Além disso, é desperdício de vida. Parem! E peguem a estrada com as motos que adquiriram para lhes dar prazer. Ou vá curtir a vida à sua maneira. 

Não dê ouvidos ao que muitos 'especialistas' dizem sobre viajar de moto. Siga seu coração. Acredite em Deus e vá. Com sol, com chuva, na terra, à noite, enfim, em cada situação com uma pilotagem diferente. Só isso!

Por um momento pensei que não conseguiria. A saudade da minha esposa, das minhas filhas e filho, e do meu neto, começa a ficar mais forte. Mas vou em frente. 

Essa parada de praticamente três dias foi programada para que eu fizesse uma reflexão. Se continuaria ou não. Refleti e decidi que irei até o fim. Até o fim do mundo. 

Com o apoio e incentivo incondicional da minha esposa, que me encoraja a cada conversa que temos, diariamente, pelo FaceTime, e a compreensão plena de meus filhos de que estou realizando um sonho, não tenho dúvidas. Eu conseguirei. 

Claro, também com a quantidade de amigos na minha garupa, com pensamento positivo, em quantidade infinitamente maior do que aqueles que torcem contra (sim, eles existem), não me resta outra alternativa. Daqui 9 dias estarei em Ushuaia. 

6 comentários:

  1. Visual belíssimo e estrada boa, tudo o que desejamos. Estamos acompanhando tudo a cada post e vibrando contigo. Obrigado pela carona virtual. Curta meu amigo.
    Mauricio Bittencourt.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela garra e aventura! Continue escrevendo enquanto, nós no conforto de nossos lares, desejamos tudo de bom pra vc!

    ResponderExcluir
  3. Marido, conte sempre com meu apoio incondicional, com a certeza de que estarei aqui cuidando das nossas filhas e de td, para que vc fique tranquilo aí. mas não se esqueça do nosso acordo: fique bem, se cuide e volte melhor do que já foi, para nós! Te amamos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você é a melhor do mundo. Voltarei melhor. Te amo.

      Excluir

Se preferir, comente como ANÔNIMO. É a última opção na caixa abaixo [Comentar como]... Mas se identifique no final da mensagem, para que eu possa saber quem é... Se possível, coloque um e-mail. Obrigado.