terça-feira, 9 de julho de 2013

De Moto Com Destino a Itajaí

Sabe quando você faz uma coisa e fica com a sensação de ter faltado algo?

Pois é. Após rodar pela BR-282, descer e subir um pequeno trecho da serra do corvo branco, descer, subir e descer novamente a serra do rio do rastro,  nos dias 3 e 4 de junho, cheguei em Brasília e pensei com meus botões:

faltou a visita à sede internacional dos Fazedores de Chuva e subir a serra do corvo branco partindo de Grão Pará. 

Mas quando farei isso, perguntei-me. Quando for pra Ushuaia? Claro que não. Tem que ser agora. A viagem pra Ushuaia (no final deste ano, se Ele permitir) consumirá muito de minhas energias.

Mas viajar mais de 2 mil km só pra subir um trecho de pouco mais de 40km? E depois rodar mais 2 mil km de volta não é maluquice? Não! É paixão. Paixão por estrada e por novos desafios. Além, é claro de quitar um débito que tinha para com o GCFC Dolor.

Consultando os aplicativos de tempo, na segunda, 24, todos, sem exceção indicavam chuva em Santa Catarina. Adiar? Nem pensar. Se não for possível fazer a serra, pelo menos resolvo a segunda pendência: visitar a sede internacional dos fazedores de chuva e estar com os grandes caciques...

Demos partida na moto e fomos: eu, minha moto e Deus. Às 7h em ponto, do dia 26 de junho de 2013. 
Peguei a BR-153, chamada de Transbrasiliana. Parei no posto Floresta, após Goiânia, a 260km de BSB, para abastecer. Outra parada no posto Trevão, após 212km. Um pastel e um isotônico. Depois, outra parada para comer, na estrada, o tradicional abacaxi de Frutal.



Cheguei em São José do Rio Preto às 14:20 e em Marília às 17:20 a tempo de ver o 2º gol do Brasil. Foram 926km rodados em 10h20, com 4 paradas de mais ou menos 20min cada. Tá bom. Mantive minha média de 90km/h e no máximo 10h de viagem por dia. Estrada muito boa, mas com muitos pedágios após São José do Rio Preto. Mas vale a pena.

Vale registrar que, chegando em Marília, vindo de Lins, há uma enorme placa sobre a pista, indicando que termina o trecho sob concessão e não vi nenhuma placa alertndo sobre a existência de uma rotatória logo após uma curva fechada que tem bem depois da placa enorme. Estava chovendo e só não caí porque, 1º, Deus não deixou e 2º, Ele me orientou muito bem sobre o que fazer. Fiquei sabendo no posto logo onde abasteci, logo à frente, que o local tem acidentes fatais com frequência. Quem passar por lá, já sabe...

Fui descansar, no hotel em Marília, com a certeza de que no dia seguinte seriam mais 720km até Itajaí. E tudo indica, debaixo de chuva! Engraçado, fui dormir com a sensação de que estou enlouquecendo...


O 2º dia de viagem para Itajaí começou com uma ida até um alfaiate de Marília para que ele fizesse um remendo na alça que prende minha capa de chuva à bota. Ela se arrebentou, não sei como, e não protegia da água, como deveria, meu pé direito. Contudo, por conta disso, atrasei minha saída da cidade por mais de uma hora. Pretendia sair às 8h e só conseguir sair às 9h20 porque o alfaiate começa a trabalhar só às 9h.

Logo na saída da cidade, em direção a Ourinhos, a BR-153 possui um trecho com visual espetacular. Belas curvas, no meio de rochas. Chegando em Ourinhos, por um descuido, peguei a estrada errada e o retorno ficava a 3km. Atraso de uns 15min. Mais uns kms e uma carreta virou na estrada. Cheguei logo depois que a PRF interrompeu o trânsito para tirá-la. Lá fiquei por 1h30 esperando o guincho fazer seu trabalho. Estrada muito boa: PR-092.

Até aquele momento o tempo estava muito agradável. Nublado, sem chuva e sem sol. Perfeito para viajar de moto. Tinha pego apenas uns chuviscos próximo a São José do Rio Preto. Porém, após Ourinhos, a chuva foi chegando de mansinho e, em Ponta Grossa, engrossou pra valer... Depois, uns kms a frente ela foi diminuindo e parou.


Na estrada vi uma placa anunciando o restaurante Panorâmico na região do Parque Estadual de Vila Velha. Eram 15h40 e resolvi parar para fazer um lanche e contemplar a vista que o nome do restaurante prometia. Só que a vista não existe mais por conta do mato que cresceu entre as pedras e o restaurante.


Ali cogitei pernoitar em Curitiba. Não havia como chegar em Itajaí até às 18h, como havia previsto e prometido. Contatei o GCFC Osmar, que acabara de sair de Curitiba e fui convencido a seguir viagem. Ele se prontificou a me esperar, juntamente com sua inseparável Adelita, em um posto distante 50km da capital.



E lá fui, acompanhado por ela, a chuva, que voltou e por Ele, companheiro inseparável... Devido a ela e a obras no anel viário de Curitiba, por onde fiquei parado por mais de uma hora, só fui encontrá-lo às 6h45, a tempo de ver a Itália eleger a Espanha como adversária do Brasil na copa das confederações, perdendo o jogo nos pênaltis.


Saímos do posto às 19h, debaixo de forte chuva, com o GCFC fazendo as vezes de coelho, com seu carro à frente. Chegamos na sede intl dos Fazedores de Chuva às 8h30. 160km após. Andamos bem... Realmente enlouqueci. 11h de estrada, com chuva, à noite, com visibilidade próxima de zero...



Dolor e uma 'coberta' com imagem da Ângela e netos
Porém, valeu a pena! A recepção que tive foi emocionante. Dolor, Ângela, filha, cunhado, netos e amigos, entre eles o Teixeira e um argentino muito gente fina (pensava que eles não existiam!), saudaram minha chegada. Só não chorei porque há tempos não tenho mais lágrimas. Momentos que jamais esquecerei. Até o quarto continha placa com meu nome!



Banho tomado, roupa seca, fomos pra mesa saborear as deliciosas Tainhas preparadas pela Maria (acredito). Pessoa sensacional. De uma simpatia só. Adentramos a noite conversando...



Na sexta, ensolarada, o GCFC Dolor me mostrou toda a região. De carro. Realmente é sensacional. A estrada Interpraias merece ser percorrida por quem viaja de moto por aquelas bandas.

Bem, no sábado, 29/6, depois de exatas 43h30 de permanência na sede intl dos Fazedores de Chuva, dei partida na moto para a volta ao lar doce lar. Saí de Itajaí, sábado 29/6, às 16h. Odômetro marcando 160km. Tempo nublado... Paradinha rápida para tirar uma foto da réplica da estátua da liberdade:
Menos de uma hora depois, ela, a chuva, chegou pra valer. Forte. Visibilidade mínima. Odômetro marcava 220km, 240km. Hora de parar para abastecer. Passou um posto e logo em seguida outro. Ocorre que estava na faixa da esquerda e não deu para parar em nenhum dos dois. Estava com 270km e a moto indicava autonomia de 70km. Fiquei tranquilo. Afinal, numa rodovia pedagiada deve ter um posto antes disso. Não tinha...


Logo veio a subida da serra, o que exige maior aceleração. O tempo e o asfalto iam passando e a autonomia diminuindo rapidamente: 40, 20, 10... Pensei: vai acabar. Eu, que já estava frio por causa da chuva, congelei. De medo! 


Chovia muito e praticamente não havia acostamento. Parar na subida da serra seria uma situação de altíssimo risco. Só fiz uma coisa: pedi ao meu inseparável Companheiro de viagem que não deixasse a gasolina acabar, pelo menos naquele trecho, e trafeguei na faixa da direita, pois seria mais fácil parar, caso o tanque secasse. Porém, Ele me atendeu. 



No final da serra, um posto. Monte Carlo. Acho que nem quando o Brasil conquistou o tetra vibrei tanto. Na hora agradeci a Deus por, mais uma vez, atender um pedido meu. Que Ele continue sempre comigo. Já havia mais de 15km que tinha aparecido a indicação LO na moto. Couberam pouco mais de 21 litros. Capacidade do tanque da Electra: 22,7.



Ia pernoitar em Campo Largo, mas como chovia muito, resolvi dormir em Curitiba mesmo. Eram 19h15. Cheguei no hotel 20h30! Sem GPS, para encontrar o hotel foi difícil. Deveria ter seguido para Campo Largo...

Domingo sai de Curitiba 8h com tempo nublado sem chuva. Ela apareceu somente próximo a Ponta Grossa, mas fina... O que esteve presente por muito tempo foi a neblina. E o vento. Ela, intensa, ele, fortíssimo.


Como na ida tinha passado pela PR-092, decidi voltar pela BR-153. Fui em direção a Ventania pela dita rodovia. De repente, a placa: rodovia interditada. Fiquei, temporariamente, revoltado. Afinal, no último pedágio (R$ 6,20), perguntei se estava no caminho certo para Marília e a moça respondeu que sim e nada disse sobre a interdição. Não havendo o que ser feito, voltei, peguei um desvio por uma estrada de terra. Terra molhada. Escorregadia. Mas Graças a Deus não chovia e passei por ela sem maiores problemas.




Uns quilômetros a frente, o visual da serra, chegando em Marília, compensou a neblina, o vento, a chuva e a estrada de barro que enfrentei.



Ponte sobre o Rio Tietê - BR-153
Cheguei em SJRP às 17h. Odômetro marcando 2.657km desde o início da viagem. 739km de Curitiba. Com sol, que surgiu muito antes de Ourinhos e não foi mais embora.

Sai, no dia seguinte, 1/7, às 8h. Tempo nublado, mas sem chuva. Ideal para viajar de moto. Porém a neblina se fez presente até 9:30. Estrada boa e com pouco movimento. Nada de manifestações... Almocei no restaurante Ficus, a 130km de casa, onde cheguei são e salvo, às 17h, com o odômetro marcando 3.398km. E a moto, suja.

Na sede internacional dos fazedores de chuva fui apresentado ao VFC Jackson, que me apresentou ao bonequinho do google maps que me ajudará muito nas próximas viagens.

Não posso deixar de agradecer, de coração, aos GCFC Dolor e Ângela e família pela acolhida. E que a Ângela me perdoe por ter tirado o Dolor de sua companhia na jornada da sexta-feira, ensolarada e do sábado, nublado. Se soubesse da caminhada, não teria saído de Brasília. Mas o Dolor não disse nada sobre a romaria... Já sei: se tivesse dito eu não teria saído de Brasília. 

Um beijo no coração de todos e até breve. Voltarei para completar a missão: subir a serra do corvo branco, a partir de Grão-Pará, que a chuva não permitiu que o fizesse dessa vez.

Veja aqui todas as fotos.

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