terça-feira, 30 de junho de 2015

Gasolina na Bolívia

Sempre ouvi comentários que brasileiro não consegue ou tem dificuldade para abastecer na Bolívia. Que é necessário comprar gasolina clandestinamente, em garrafas ou galões, o que, ressalte-se, é considerado um ilícito no país. O exército fiscaliza e pode confiscar a gasolina adquirida dessa forma. 


A verdade é a seguinte: pode abastecer sim. Só que os proprietários de veículos com placa estrangeira pagam um valor 132% maior que os bolivianos. 

Em junho/15, o preço para veículos com placa boliviana é de 3,74Bs/l. No câmbio oficial, R$ 1,66/l, em 30/6/15. Baratíssima... 

Para os veículos com placa de fora, cobra-se uma diferença de 4,94 Bs/l (R$ 2,19/l). Total: 8,68 Bs/l, ou seja, R$ 3,85/l. 

Cara? Não achei, uma vez que a qualidade é superior à comum brasileira. Tipo uma podium. O consumo é bem menor, compensando o preço. 

Na realidade, conforme o decreto supremo 29.814, esse sobrepreço deve ser cobrado em território compreendido em até 50km das fronteiras e em outras áreas de risco de comercialização ilícita de combustível, tais como povoados de fronteira e vias de acesso à elas, além de povoados intermediários. 

Dessa forma, o valor nas demais localidades, fora da área de risco, deve ser o mesmo para todos, desde que a gasolina adquirida seja a operacional, ou seja, apenas o suficiente para o deslocamento desejado (não pode usar galões). 

Dedução minha: se o exército não estiver na estação de serviço ou surtidor (posto de gasolina), os frentistas cobram o preço subsidiado mesmo (é mais rápido). Isso aconteceu comigo em Puerto Suarez e pude constatar em Roboré, pela resposta que obtive do funcionário (ver no vídeo no final). 

Finalmente, exige-se o número do passaporte e o nome para emissão das faturas. 



Atualização: de Puerto Quijarro a La Paz vivenciei diversas situações. Postos sem gasolina, no trecho entre Santa Cruz e Villa Tunari. Postos vendendo gasolina ao mesmo preço para todos (3,74 Bs) e outros vendendo ao preço internacional (8,68 Bs), mesmo estando centenas de kms das fronteiras ou de zonas de risco.

Em alguns, como em Oruro e próximo à fronteira com a Argentina, perguntam: com ou sem fatura? Mesmo com um policial do exército presente. Com fatura, 8,68. Sem fatura, negociamos. Paguei 7Bs.  

Em alguns, os frentistas disseram que não tinham autorização para vender para veículos estrangeiros. 

Conclusão: os gerentes das estações de serviço não sabem da existência do decreto ou, se sabem, não entenderam. Num deles havia um policial totalmente perdido. Falei com ele sobre o decreto e ele perguntou: que decreto? Mas fez questão de tirar foto na guerreira. 

É isso. Resumindo: Não tive problemas para abastecer na Bolívia, que pudesse impedir meus deslocamentos pelo país.



3 comentários:

  1. Olá Celso, foi muito esclarecedor a sua postagem, pois só ouço histórias negativas e depreciativas.
    Vou viajar para o Uyuni em julho e gostaria de mais dicas. Seria possível? Abraço e parabéns!

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    1. Estamos às ordens. contato@demotocomdestino.com

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  2. Esqueci de colocar o e-mail: me chamo Rogério e meu e-mail é: rogta@msn.com

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