segunda-feira, 17 de julho de 2017

CAPITÃO BESSA – Uma história que merece ser contada

Crônica escrita pelo motociclista e viajante Pedro Humberto, em homenagem a este grande motociclista, Bessa, publicada aqui com autorização do autor. Ele faz uma proposta para que seja o novo ídolo dos motociclistas, uma vez que o Capitão Senra faleceu recentemente:

Há alguns anos tive o grande privilégio de conhecer e me tornar amigo de uma pessoa muito querida e admirada no meio motociclístico de Brasília, em especial, entre os amantes das Harley-Davidson. 

Trata-se do Capitão Bessa, assim carinhosamente chamado por seus amigos, apesar de na verdade não ser Capitão, mas sim Tenente da Reserva da Força Aérea Brasileira.  
Na rota 66 (foto do face da Juliene)
João Batista Moreira Bessa é uma pessoa muito especial. Provavelmente é um dos Harleyros mais antigos do Brasil em atividade. Nasceu em 14 de julho de 1937 na pequena cidade de São Jose do Calçado, interior do Espirito Santo. Portanto, em dois meses o Capitão Bessa irá completar 79 anos de idade, dos quais passou 58 deles rodando de Harley-Davidson. (editado: Em 14/07/17, completou 80 anos)!

Comemorando os 80 anos (foto Celso JF)

Comemorando 80 anos (foto Celso JF)
Desde menino, Bessa já era apaixonado por motocicletas e muitas vezes, sem que o irmão mais velho soubesse, costumava “tomar emprestada” a moto do irmão para fazer alguns passeios pelas estradas de terra das redondezas. 

Naturalmente, o menino Bessa também gostava de aventuras e, por isso, sonhava ser aviador da FAB, quem sabe até piloto de caça. Foi com esse sonho que, em 1955, aos 18 anos, Bessa prestou concurso e foi aprovado nos difíceis exames teóricos para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar em Barbacena. 

Infelizmente, seu sonho de ser aviador durou pouco, pois logo em seguida foi frustrado pelo rigoroso exame médico da Aeronáutica. Alguns anos antes uma estilingada no olho esquerdo o deixou com uma catarata irreversível, motivo de sua reprovação no exame de vista. 

Mesmo assim Bessa não desistiu da FAB. Mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Aeronáutica como soldado. Foi em 1958 que o jovem Bessa, já então Cabo, com 21 anos de idade, teve seu primeiro contato com o mundo das Harley-Davidson. 

Naquele ano foi escolhido para integrar a primeira turma de motociclistas Batedores da FAB e começou a pilotar as Harleys então utilizadas pela Polícia da Aeronáutica, modelos ainda eram remanescentes da 2ª Guerra Mundial. Desde então Bessa nunca mais saiu de cima de uma Harley. 

Sua primeira motocicleta própria, adquirida em 1959, foi uma Harley modelo 1948. A partir de então teve várias outras motos, de diversos anos e modelos, mas todas elas Harley-Davidson. 

Sua motocicleta atual é a “Azulona”, uma Harley-Davidson Electra Glide Classic 2013, azul, claro, da cor da Força Aérea Brasileira. 

Em 1964 o já então Sargento Bessa foi incumbido de criar e chefiar o 1º Pelotão de Motociclistas Batedores da Polícia da Aeronáutica de Brasília. 

Nessa função, sempre pilotando uma Harley-Davidson, realizou incontáveis escoltas de autoridades, inclusive dos Presidentes Castelo Branco, Costa e Silva, Médici e Figueiredo e também escoltou diversos presidentes de outros países que visitaram o Brasil. 

Dessa época, o Capitão Bessa se recorda com especial orgulho de duas escoltas que marcaram profundamente sua memória: a escolta dos primeiros astronautas a pisar na lua e a escolta da Rainha Elisabeth II. Nessa última, em agradecimento pelo excelente trabalho que realizou como chefe da escolta, nosso Capitão Bessa foi condecorado pessoalmente pela Rainha Elisabeth II com uma medalha militar e um diploma de Honra ao Mérito. 

Outra façanha motociclística que o Capitão Bessa tem orgulho de contar aos seus amigos foi sua iniciativa de criar, em 1966, a primeira pirâmide humana em moto Harley-Davidson das Forças Armadas. 

A idéia surgiu quando viu num jornal antigo uma fotografia da Polícia Especial do Presidente Getúlio Vargas fazendo uma pirâmide humana com três homens em cima de uma moto. Inicialmente, criou uma pirâmide com cinco homens, depois com dez e finalmente, chegou a realizar pirâmides humanas com 18 homens em cima de uma mesma moto Harley-Davidson, sendo sempre ele o piloto da moto, que naturalmente era bastante reforçada para suportar todo esse peso. 

Essa façanha que começou como uma “brincadeira” chegou a se tornar oficial e era muito aplaudida nos desfiles militares de 7 de setembro, como prova de grande e inegável perícia motociclística dos Batedores Militares da Polícia da Aeronáutica. 

Posteriormente, a pirâmide humana criada pelo Capitão Bessa foi utilizada também pelos batedores da Policia do Exército, a qual teve seu nome inscrito no Livro dos Recordes quando realizou uma pirâmide humana com 48 homens sobre uma moto Harley-Davidson.  

Em 1984, nosso personagem passou para a reserva da Aeronáutica. Desde então, sua vida tem sido viajar de Harley-Davidson pelo Brasil e pelo mundo afora, sempre acompanhado de sua fiel garupa e esposa, sempre a primeira a pular na moto para pegar a estrada. 
Foto do face da Juliene
Bessa, modestamente, diz que nunca fez essa conta, mas pelas nossas conversas sobre viagens de moto, posso garantir que nesses 58 anos como motociclista meu amigo Capitão Bessa já rodou pelo menos uns 200 mil quilômetros de Harley. 

Mais recentemente, em 2010, alguns Harleyros de Brasília, amigos do Capitão Bessa, resolveram homenageá-lo criando um grupo de motociclistas intitulado “Moto à Bessa” do qual ele, como não poderia ser diferente, é o Líder natural e eu, com muito orgulho, também faço parte.

Além de uma vida inteira dedicada à paixão pelas motos Harley-Davidson, nosso Capitão Bessa, como cidadão, pai de família e amigo é uma pessoa especialmente correta, modesta, querida e admirada por todos que o conhecem. 

Sua jovialidade e tipo físico enganam quem não o conhece, pois aparenta ser bem mais novo que sua idade. 

Brincando, ele costuma dizer aos amigos que o segredo disso se deve a três coisas: seu gosto por um Johnnie Walker; sua paixão pelas motos Harley-Davidson; e seu amor incondicional por Juliene, sua esposa e garupa inseparável, ela também outra pessoa querida e maravilhosa.
Foto do face da Juliene
O certo é que todos que conhecem o Capitão Bessa o consideram um verdadeiro exemplo de vida e de motociclista, em especial para nós amantes das motos Harley-Davidson.

Mas vocês hão de estar se perguntando! Por que estou me dando ao trabalho de escrever tudo isso sobre o Capitão Bessa? E eu respondo: não é só por que ele é meu grande amigo e merece tudo que eu disse. 

Digo tudo isso, principalmente, por acreditar que após a recente perda de um grande amigo e ídolo dos Harleyros do Brasil, nosso querido e saudoso Capitão Senra, nós todos, amantes das Harley-Davidson, ficamos meio órfãos de um grande exemplo vivo. 

É unicamente por esse motivo que tomo a liberdade de lançar, em nível nacional, com essa breve crônica, o nome do Capitão Bessa como nosso novo ídolo e exemplo de vida para os Harleyros mais jovens. 

Acho até possível que ele, com sua modéstia, diga que não merece isso, mas todos que o conhecem e também aqueles que o conhecerem no futuro irão concordar comigo, pois com certeza o Capitão Bessa é mais que merecedor dessa singela homenagem.  

Antecipadamente, me desculpo com os amigos, se houver no Brasil algum motociclista em atividade mais idoso e que pilote uma Harley-Davidson há mais tempo que o Capitão Bessa. 

Nesse caso, penso que ele deveria se apresentar e, se for merecedor, por direito, esse posto será dele. 

Mas confesso que acho isso pouco provável. 

Portanto, sendo assim, desde já, proponho vivas ao nosso querido Capitão Bessa, novo ídolo e exemplo para os Harleyros do Brasil.
Foto do face da juliene
Pedro Humberto

Observação: As fotos foram incluídas pelo editor deste blog. Com os créditos registrados.

Um comentário:

  1. Seria meu pai o detentor deste título caso ele não tivesse feito a promessa de jamais subir numa moto depois de um grave acidente em Brasilia .... ele era um dos batedores do exercito e um dos participantes das piramides e hoje ainda vivo se encontra com 84 anos e amante daa duas rodas
    Talvez e creio ter certeza wue herdei deste homem que amo e admiro essa louka e inexplicavel paixão pela duas rodas ... o nome dele Dorgival Ribeiro Damasceno


    Parabéns Sr Bessa

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